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Empresários alemães querem investir no Brasil

Interesse foi reforçado em Encontro Econômico dos dois países

Dieter Garlik falou sobre a experiência adquirida com a Copa de 2006 (crédito: Divulgação Alecristão)
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Érica Lage - Vitória
postado em 01/09/2009 10:13 h
atualizado em 03/09/2009 14:51 h

Durante evento de empresários alemães e brasileiros, em Vitória (ES), os estrangeiros tentaram convencer a seus colegas locais que a Copa do Mundo pode, sim, gerar lucros e impulsionar o desenvolvimento do país. Além disso, aproveitaram a viagem para prospectar oportunidades de investimento na infraestrutura e nos estádios que serão construídos ou reformados para o Mundial de 2014.

A iniciativa ocorreu no Encontro Econômico Brasil-Alemanha, realizado entre os dias 31/8 e 1º/9, onde uma série de palestras voltadas à Copa 2014 discutiram os temas estádio, turismo e infraestrutura.

Segundo o diretor da consultoria esportiva Deloitte, Dieter Garlik, a Copa de 2006, realizada na Alemanha, transformou os estádios em locais confortáveis, atraindo um público familiar. Após o torneio, o índice de ocupação das arenas durante o campeonato alemão superou os 90%, comprovando a eficácia dos investimentos.

Quanto à imagem do país, Garlik lembrou que uma das diretrizes da Copa era reverter o ar sisudo dos alemães. “Todos esperavam organização, mas não esperavam festas tão alegres no país e conseguimos surpreender. Isto rendeu empregos, turismo em longo prazo e mais investimentos.”

Infraestrutura e investimento estrangeiro
O presidente do Conselho Integrado das Câmaras de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK), Weber Porto, afirmou que um planejamento adequado pode deixar ao Brasil uma boa estrutura de estádios e aeroportos, melhor organização, oferta qualificada de serviços e tecnologia de ponta. Para isso, acredita na parceria com os alemães.

“A Alemanha tem interesse em investir e o Brasil quer trazer melhorias. Há muito trabalho pela frente, mas tudo o que fizermos será bom para o país”, disse Porto.

Estudo da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB) calculou em 40 bilhões de euros o volume necessário na preparação do Brasil para o Mundial. Os setores com maior potencial de atrair recursos estrangeiros são os de transporte, energia, telecomunicações, rede hospitalar, saneamento, segurança e hotelaria.

Exemplo alemão
Empresários e autoridades brasileiras consideram a Copa de 2006 como modelo de organização a ser seguido pelo Brasil em 2014. Três palavras foram repetidas durante o evento: disciplina, organização e planejamento. “Devemos usar tudo isso para projetar a imagem de que, além de sermos hospitaleiros, também podemos ser organizados”, salientou o secretário-executivo do Ministério do Turismo, Mário Moysés.

O Ministério do Turismo definiu quatro eixos estratégicos para os próximos cinco anos: promoção e viagem, capacitação e qualificação profissional, hotelaria e infraestrutura urbana. Segundo Moysés, apenas em qualificação serão investidos R$ 440 milhões, alcançando 306 mil profissionais, com a perspectiva de gerar oito mil empregos.

Um dos projetos já colocados em prática no Rio de Janeiro, Salvador e Manaus é o ensino de inglês e espanhol para profissionais do setor de serviços. A intenção do ministério é estender o projeto a todas as cidades-sedes até o final do semestre.

Mobilidade, transporte, hotelaria
A mobilidade urbana foi apontada como o maior desafio para o Brasil até 2014. Os aeroportos são os únicos projetos com previsão de aportes do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). No entanto, setores como o metroferroviário também devem ser contemplados.
No quesito segurança, o foco do governo será na prevenção e integração das polícias federal e estadual, afirmou o secretário. Além disso, os sistemas de controle de acesso ao país e aos estádios deverão ser aperfeiçoados.

Quanto à rede hoteleira, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estuda lançar uma linha de financiamento para a renovação e ampliação da capacidade.





 
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