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Mineirão: uma nova concepção de estádio para 2014

Arena terá cobertura ampliada, nova arquibancada inferior e revitalização da esplanada

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Diego Salgado - São Paulo
postado em 08/05/2012 17:21 h
atualizado em 10/05/2012 10:40 h

Quando as portas do novo Mineirão forem reabertas no dia 21 de dezembro deste ano, data prevista pelo governo mineiro para a primeira partida após a reforma, os torcedores verão poucos aspectos do estádio inaugurado em setembro de 1965.

Os 130 mil assentos deram lugar a somente 64 mil cadeiras. A antiga cobertura passará dos atuais 26 metros para 52 metros. A arquibancada superior, mantida, estará toda reparada. A inferior, demolida e reconstruída, terá uma área vip de 10,7 mil m², que abrigará 80 camarotes, num total de 2,1 mil lugares.

A interligação do Mineirão com o ginásio do Mineirinho, que será feita por uma passarela de 15 metros sobre a avenida Antônio Abraão Caram, é um dos pontos do partido do projeto executivo. Na definição do arquiteto Bruno Campos, do escritório BCMF, responsável pelo trabalho, o projeto do novo Mineirão previu a manutenção da fachada do estádio, tombada pelo Patrimônio Histórico Cultural. “Foi mantida basicamente a casca do Mineirão, os 88 pórticos estruturais, a cobertura de concreto e a arquibancada superior”, afirmou o arquiteto.

Ele também ressalta os benefícios da esplanada, que terá espaços com mais possibilidades de lazer e entretenimento. Ela terá três níveis e áreas destinadas ao público pagante por meio de setorização vertical associada à usual, horizontal. “É importante a relação urbanística do complexo esportivo com a lagoa da Pampulha e sua vizinhança imediata, levando em conta as condições e demandas durante o evento e também seu impacto como um legado auto-sustentável para a cidade”, disse Campos.


Integração entre estádio, ginásio e região da Pampulha define partido (crédito: BCMF Arquitetos)

   
Após o término da licitação, o consórcio orientou os arquitetos para realizarem revisões no projeto executivo. De acordo com a Secopa, as determinações já estavam previstas no edital. A exploração comercial do complexo também foi um dos pontos da mudança.

"As intervenções propostas pretendem trazer as inovações necessárias para transformar o Mineirão em um complexo esportivo contemporâneo em termos de tecnologia e sustentabilidade, e multifuncional no que se refere ao potencial de operação", afirmou Ricardo Barra, diretor-presidente do Minas Arena.

Em relação à nova cobertura, o prolongamento será feito por meio de estruturas metálicas. Segundo Campos, haverá uma nova cobertura em membrana “autolimpante” apoiada sobre treliças planas compostas por tubos de aço.

Elas serão incorporadas à parte existente para que haja aumento da resistência do conjunto. A cobertura de concreto atual, então, sofrerá alívio de tensões, por meio de um trabalho de protensão e macaqueamento. Os cabos vão gerar estruturas mais leves, com alto desempenho. A técnica será responsável pela cobertura em balanço do estádio.

A nova estrutura também receberá placas fotovoltaicas. Instaladas sobre a cobertura, elas absorverão energia solar, transformada em energia elétrica. No total, serão sete mil placas, com tamanho médio de 1,5 m², pesando 30 kg cada.

A previsão é que a usina produza 2,2 mil megawatt/ano de energia, equivalente ao consumo médio de duas mil residências. A potência instalada será de 1,5 MW e a instalação das placas será realizada pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).

Já o novo gramado do estádio, segundo o consórcio Minas Arenas, deve ser plantado em outubro. A intenção é ter um campo 100% plantado ainda em 2012.

Os torneios serão disputados no primeiro semestre do ano que vem. Depois, em junho, o estádio receberá algumas partidas da Copa das Confederações. Um ano depois, o Mineirão será palco de seis jogos do Mundial.

Just-in-time
Duas empresas forneceram as peças pré-moldadas para a arquibancada inferior e para a esplanada. A Precon e a Premo, localizadas na Grande Belo Horizonte, em Pedro Leopoldo e Vespasiano, respectivamente.

De acordo com Ana Margarida Vieira, gerente de projetos da Premo, as peças são produzidas nas fábricas sem a necessidade de estoque nos canteiros. "As peças pré-fabricadas são levadas ao Mineirão e montadas no local", afirmou.

A metodologia just-in-time permite que as peças pré-moldadas sejam descarregadas e imediatamente instaladas. Assim, há redução da movimentação de equipamentos no canteiro de obras, oferecendo mais segurança aos dois mil operários.

Por exemplo, as lajes, que têm entre 21,5 cm e 26 cm de altura e capeamento de 6,5 cm, ocuparão mais de 80% da esplanada.

Marcelo Miranda, diretor-executivo da Precon Engenharia, também ressalta dois pontos positivos na escola: a agilidade da obra e o caráter sustentável. "Não há acúmulo de resíduos, por se tratar de uma construção realizada em indústria", disse.

Para o arquiteto Bruno Campos, a maior vantagem na utilização do sistema pré-fabricado foi a otimização dos prazos de execução. “A fabricação das partes de concreto foi feita fora do canteiro de obra e ocorreu simultaneamente com a terraplanagem e fundação da obra”.

Paisagismo

Outro aspecto do novo Mineirão coloca a sustentabilidade em primeiro plano: o projeto de paisagismo. A previsão é que o espaço ocupe 20 mil m² da esplanada. Sob responsabilidade do escritório BCMF Arquitetos e da HS Jardinagem, o projeto prevê 921 árvores de espécies nativas da flora brasileira no entorno do estádio. "Será um parque suspenso, com vegetação arbórea, grandes superfícies de canteiro e manchas de novas espécies", afirmou a Secopa.

A prioridade, segundo o governo mineiro, é plantar espécies que demandam menor quantidade de água na irrigação, além de árvores perenes, com maior ciclo vegetativo. A esplanada também contará com bancos pré-moldados dispostos geometricamente com vista à lagoa da Pampulha. Por fim, próximo ao acesso principal do estádio, fontes de água ocuparão uma área de 100 m² cada.





 
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