Manchada por conta da ligação com o bicheiro goiano Carlinhos Cachoeira, alvo de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) no Congresso, a construtora Delta atua em três importantes obras da Copa de 2014 além do Maracanã, segundo levantamento da agência "O Globo".
A empreiteira, que anunciou na última sexta-feira (20) sua saída do consórcio que executa a reforma do estádio carioca, palco da final do Mundial, é também responsável por outras três obras de mobilidade urbana que constam na Matriz de Responsabilidades da Copa: os BRTs (Bus Rapid Transit) da avenida Antônio Carlos/Pedro I, em Belo Horizonte, da Transcarioca, no Rio de Janeiro, e o Eixo Via Expressa, em Fortaleza.
Ao todo, os três projetos somam R$ 1,19 bilhão, de acordo com a matriz. Pressionada para deixar as obras, a exemplo do que aconteceu no Maracanã, a Delta não confirmou a informação e, por ora, segue sendo responsável pelos trabalhos da Copa.
Especula-se que a construtora esteja enfrentando dificuldades para obter crédito por conta do seu envolvimento com o empresário Carlinhos Cachoeira. De acordo com as investigações da Polícia Federal, a Delta financiou campanhas eleitorais em Goiás, por intermédio de Cachoeira, e costumava oferecer dinheiro a senadores em troca de favores.
A empreiteira foi contratada diversas vezes sem licitação para executar obras públicas, se tornando a empresa que mais recebeu verbas federais desde 2007.
Além das obras da Copa, a Delta é responsável por grandes intervenções previstas no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), como a Ferrovia Oeste-Leste e a transposição do rio São Francisco, cujos contratos somam quase R$ 800 milhões.