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Fernando Fernandes, o coordenador da Copa em Natal

O Brasil deve evitar o "efeito África do Sul", assumindo compromissos que não pode honrar

Fernando Fernandes, o coordenador da Copa 2014 em Natal (crédito: Divulgação)
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George Fernandes - Natal
postado em 17/08/2009 13:31 h
atualizado em 01/09/2009 17:47 h

Nesta entrevista, o secretário de Turismo de Natal e presidente do Comitê Executivo para a Copa, Fernando Fernandes, fala sobre a viabilização da Arena das Dunas para o Mundial de 2014.

Segundo Fernandes, Natal pretende captar os R$ 309 milhões para a construção do estádio com a iniciativa privada. Mas não descarta a possibilidade de o governo do Estado e a prefeitura bancarem parte do empreendimento. "Sabemos que estamos trabalhando com o mercado, que há pouco vivia uma crise profunda."

Para Fernandes, o importante é o Brasil evitar o que chama de "efeito África do Sul", assumindo um compromisso que não pode honrar. "O que as pessoas precisam entender é que o governo federal está preocupado com o efeito África do Sul. O país assumiu um compromisso que, ao que tudo indica, não poderá cumprir." Para isso, valem os esforços do Ministério do Esporte para viabilizar o financiamento das arenas com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), além de entregar a gestão da Arena a uma empresa de gestão privada, "que sabe ganhar dinheiro com o negócio".

Qual o custo da Arena e qual a participação pública no empreendimento?
O orçamento prévio é de R$ 309 milhões, o mais barato do Brasil em termos de metro quadrado de área construída. Quanto aos estádios, dos 12 escolhidos, apenas três são particulares. Os demais são públicos. O que as pessoas precisam entender é que o governo federal está preocupado com o efeito África do Sul.  O país assumiu um compromisso que, ao que tudo indica, não poderá cumprir. Lá, em princípio, seriam 12 sedes. Restarão sete, provavelmente. Isso ficou claro na reunião que tivemos no último dia 5, em Brasília, com o Ministério do Esporte e representantes do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Preocupado com a situação da África do Sul, o ministro Orlando Silva se antecipou e chamou as entidades para conversar, para ver a possibilidade de o BNDES financiar parte dos estádios. Mas ainda não sabemos se haverá uma linha de crédito específica.

Quem administrará o estádio?
Eu entendo que o melhor caminho é a gestão privada. Depois de pronto, estado e prefeitura terão 50% do estádio cada um. Eu defendo eles devem procurar uma empresa especializada em gestão de estádios, brasileira ou não, para explorar o equipamento. Essas pessoas sabem como ganhar dinheiro.

A Lusoarenas manteve conversas com o governo e a prefeitura. A empresa portuguesa é a candidata mais forte para administrar a Arena?
Já recebemos quatro empresas interessadas na gestão da Arena das Dunas. A Lusoarenas é uma delas. A Traffic, outra. Também nos procuraram a Arena de Amsterdã e a Gelmarc, salvo engano. Todas são especializadas em gestão e estão querendo participar do processo licitatório. Vamos exigir o melhor preço, qualidade e cumprimento dos prazos.

Estas empresas participariam também da construção do estádio?
Não. O ideal é que elas comecem o processo junto com a construção, porque cada empresa tem uma forma de comercialização, e podem sugerir pequenas modificações. Cada gestora mostra o seu conhecimento e traz não apenas a experiência de exploração, mas também parceiros nacionais e internacionais, como grandes fabricantes de bebidas e refrigerantes.

Qual o valor total do Complexo Arena das Dunas, que envolve não só a Arena, mas um novo Centro Administrativo para governo e prefeitura, prédios comerciais, hotéis, museu e áreas verdes públicas?
Esse número é muito relativo. Vai depender muito do que se vai construir lá. Estima-se que a área terá um valor geral de venda da ordem de R$ 2,5 bilhões a R$ 3 bilhões.

Machadão: estádios será demolido para a construção da Arena das Dunas (crédito: Sofia Mattos)

Qual a possibilidade de o governo e a prefeitura de Natal entrarem com recursos para a construção do estádio?
Em princípio, não pensamos nessa possibilidade. Quero crer que 100% dos investimentos serão captados na iniciativa privada. Mas, eu nunca descarto essa possibilidade. Sabemos que estamos trabalhando com o mercado, que há pouco vivia uma crise profunda. Mas, pelo estudo de pré-viabilidade que preparamos e considerando o desempenho atual do mercado imobiliário de Natal, ele teria condições de absorver estes R$ 2,5 a R$ 3 bilhões, o que dá condições suficientes de serem captados os R$ 309 milhões para a construção do estádio.

Como será a logística para a demolição do estádio Machadão e do ginásio Machadinho?
O custo da demolição, que as pessoas julgam muito caro, está incluso no orçamento para a construção da Arena. Ainda será definido para onde irão os entulhos. Parte dos resíduos poderá ser usada na própria obra e também num projeto de engorda das praias, organizado pela prefeitura. Temos seis meses para essa definição, mas essa é uma das recomendações do licenciamento ambiental.

O processo licitatório e as licenças ambientais já estão prontos?
Até o final de agosto entregaremos as licenças ambientais e comprovaremos o início do processo licitatório, cujo prazo de término é 31 de dezembro. O início da obra da Arena das Dunas está previsto para fevereiro de 2010 e o estádio tem que estar pronto em dezembro de 2012. Como a Arena não ficará exatamente no local do Machadão, as obras vão começar sem a necessidade de demolição. Eu não quero fixar datas, mas a previsão da demolição do Machadão e do Machadinho é para o segundo semestre de 2010.

Confira a segunda parte da entrevista, em que Fernandes fala sobre as obras estruturantes em Natal: Aeroportos, VLP, turismo e incentivo aos clubes de futebol do estado.





 
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