Milhões de britânicos foram convocados na última (21) terça-feira a diminuir seu tempo embaixo de chuveiro para quatro minutos diante do temor que uma das piores secas no Reino Unido nas três últimas décadas cause restrições de água em Londres durante as Olimpíadas.
As chuvas no vale do Tâmisa e na capital britânica se situaram abaixo da média em 18 dos últimos 23 meses, o que levou o Ministério do Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais britânica a declarar oficialmente nesta semana a situação de seca em grande parte do sudeste da Inglaterra.
As companhias de água da região insistem que para evitar cortes nos próximos meses é indispensável que a população tome medidas como fechar a torneira ao escovar os dentes, consertar possíveis vazamentos nos encanamentos de suas casas e aproveitar a capacidade de suas lavadoras o máximo possível para não esbanjar recursos.
Calcula-se que cada britânico utiliza 150 litros de água por dia, mas o Governo estima que esse número poderia ser cortado em 20 litros com a colaboração dos cidadãos.
Reduzir em um minuto o tempo da ducha, ressalta o Ministério, pode representar uma economia de até nove litros de água.
Além dos esforços por parte da população e das empresas, os britânicos confiam que a tradicional meteorologia chuvosa do Reino Unido termine resolvendo a situação.
"Cruzemos os dedos para que nas próximas semanas soframos um tempo cinza, úmido e miserável", ironizava hoje o jornal "Daily Mail".
Este é o segundo inverno no qual as reservas de água do sudeste da Inglaterra estão especialmente baixas, e teme-se que a seca possa estender-se ao resto do país em poucas semanas.
Uma das preocupações principais das autoridades é a possibilidade que Londres sofra restrições de água durante a realização dos Jogos Olímpicos, no próximo mês agosto, quando centenas de milhares de visitantes que chegarão à capital britânica aumentarão drasticamente as necessidades de água em uma cidade de oito milhões de pessoas.
O nível de muitos rios ingleses está abaixo do registrado em 1976, quando uma das piores secas da história do país acabou com parte da vida selvagem da região, avivou os incêndios durante os meses de calor e fez subir o preço dos alimentos.