As rusgas entre Aldo Rebelo e Ricardo Teixeira são coisa do passado. Em sabatina promovida nesta sexta-feira (10) pelo portal “UOL”, o ministro do Esporte garantiu não se importar com as recentes denúncias envolvendo o presidente da CBF e do Comitê Organizador Local (COL).
Rebelo, que presidiu a CPI da CBF/Nike em 2000, disse que governo e COL terão que trabalhar em harmonia para que o Brasil realize uma grande Copa.
O ministro também falou sobre as dificuldades que o país enfrenta no setor aéreo. Para ele, o Brasil, apesar de todos os indícios, não terá grandes problemas neste aspecto durante a Copa de 2014. Eventos como a Parada Gay, que acontece anualmente em São Paulo, e o Carnaval do Rio de Janeiro já exigem muito do sistema aeroportuário brasileiro, “mais do que o Mundial deverá demandar”.
Denúncias contra Teixeira
Minha posição, como ministro, é de procurar manter com a CBF e Fifa uma relação de cooperação e independência. Cooperação porque governo, a Fifa, a CBF, as organizadores e os patrocinadores têm desafio comum, que é realizar a Copa no Brasil. A coincidência é que Teixeira preside as duas entidades. E temos que trabalhar com independência, porque, enquanto COL e Fifa são entes privados, com relação direta com patrocinadores, o Ministério do Esporte é público. Então, onde houver harmonia, vamos trabalhar com harmonia. Mas quando houver divergências vamos adequar tudo em função do objetivo comum.
Aeroportos
Aeroporto não é necessidade para a Copa. É essencial para eventos como a Parada Gay, o Carnaval do Rio, da Bahia, de Olinda... Esses eventos têm mais turistas do que a Copa.
Mobilidade urbana
Poucas obras começaram até agora, mas todas vão começar. Você não pode ver a partida da obra. Tem que ver o ponto de chegada. Hoje a engenharia dispõe de instrumentos para acelerar, reduzir ou manter determinada velocidade na construção dessas obras. Sem falar que as cidades não precisam delas para a Copa. É legado.
Desapropriações
Qualquer tipo de desapropriação tem que ser feita dentro da lei, respeitando o direito e o interesse das pessoas, que não podem ser removidas de suas casas e locais de trabalho indevidamente. A comparação com nazismo [em referência ao subprocurador geral do Ministério Público do Rio de Janeiro, Leonardo de Souza, que afirmou que as remoções de moradores cariocas para obras da Copa e Olimpíada, que tinham as casas marcadas a caneta, remontavam aos tempos dos nazistas] é descabida e infeliz. Não acredito que as autoridades públicas tenham procedido dessa maneira. A legislação brasileira protege esses direitos. E nenhuma dessas desapropriações é do governo federal.
Álcool nos estádios
O que está em pauta é a cerveja, e não consta na proposta original da Fifa. A tendência é adotar a legislação existente nos Estados Unidos e na Europa, ou seja, uma legislação restritiva, que permite o consumo de bebidas e de cerveja em determinados locais e em determinadas condições [dentro dos estádios].
Cerveja antes da Copa
Essa lei é para a Copa do mundo, portanto, se extrapolar os 11 compromissos assinados pelo presidente Lula quando da escolha do Brasil em 2007, não sei se constará, acredito que não. Mas o Brasil tem condições, a partir da regulamentação da lei de proteção ao torcedor, conceder de forma definitiva orientação sobre o consumo de bebidas para o país.
Obras da Olimpíada
O COL não tem responsabilidade nenhuma sobre as obras, a responsabilidade é do poder público. Nem a Autoridade Pública Olímpica tem responsabilidade sobre as obras. Tem controle e acompanhamento. Mas as obras físicas, como Vila Olímpica, e o que requer de infraestrutura, essa responsabilidade é do governo federal, governo do estado e da prefeitura.