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Cidades-sede, da euforia à angústia

Passada a festa, autoridades e clubes encaram o desafio de viabilizar seus projetos

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Jorge Hori
postado em 10/08/2009 10:37 h
atualizado em 11/08/2009 13:30 h

O consultor e blogueiro Jorge Hori discute o dilema que tira o sono de autoridades e clubes: como viabilizar estádios que custarão centenas de milhões de reais?

As cidades escolhidas como sede dos jogos da Copa têm até o final de agosto para apresentar os seus projetos de estádios, com a correspondente demonstração da sua viabilidade econômico-financeira. O gargalo não está no projeto arquitetônico, mas no projeto econômico.

O que devia ter sido feito antes não o foi para não prejudicar a candidatura. Agora poderá ficar pior. A cidade foi escolhida e pode ser desclassificada por não demonstrar a viabilidade econômico-financeira. Dificilmente será agora, ainda nesta fase, porque irá se comprometer a utilizar recursos públicos dos respectivos estados e municípios, sem obrigação de retorno econômico.

O modelo será o do investimento feito pelo Estado, com a operação pelo empreendedor privado. Os projetos foram elaborados com base em ilusões de participação privada, mediante concessões ou PPPs (Parcerias Público-Privadas). Isso virou uma palavra mágica, que agora chega à realidade.

Para conseguirem ser escolhidas, formularam projetos mirabolantes. Agora têm de provar que são economicamente viáveis. A própria CBF (Confederação Brasileira de Futebol) já tem mandado recados para que as cidades sejam moderadas em suas propostas. E procurem demonstrar que terão receitas futuras com o futebol, embora se saiba que uma parte delas não as terá.

Agora entrou em cena o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) que, consultado, ainda que preliminarmente, já indicou que tem recursos e está disposto a financiar. Financiar no sentido de empréstimos, que fique claro. Que só serão concedidos para aquelas que demonstrarem retornos suficientes para pagá-los.

E daí os clubes que têm estádios indicados agora estão se dando conta daquilo sobre o que já haviam sido alertados, mas que preferiram "esquecer" para poder sediar jogos da Copa: a Fifa (Federação Internacional de Futebol) exige uma série de condições adicionais, que aumentam o custo do estádio, com difícil ou impossível retorno. Não há viabilidade econômica para um estádio de clube, no padrão Fifa, dentro das regras atuais do futebol brasileiro e das mesquinharias dos dirigentes de clubes.

Os estádios do Morumbi, Arena da Baixada e Beira-Rio só serão economicamente viáveis se a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) exigir que os jogos do Brasileirão – da série A – sejam disputados em estádios padrão Fifa, onde houver. Poderá ser para todos os jogos ou para parte deles. Seriam indicados especialmente para os clássicos.

Isso significa que o Corinthians teria que jogar no Morumbi, mesmo que o mando do jogo seja seu. E que o Coritiba jogará na Arena da Baixada, contra times de outros Estados. E o Grêmio, no Beira-Rio, estádio de seu maior rival. E isso poderá desencadear uma grande revolta dos clubes contra a CBF.

Para viabilizar economicamente os estádios, uma alternativa será uma mudança do Brasileirão, com menos times e a sua realização em três turnos. Em dois dos jogos o mando será de um time. No terceiro, o mando será da CBF, que designará o local dos jogos.

Poderá então, designar que o jogo Flamengo x Avaí seja disputado em Manaus, ou que Corinthians x Náutico seja disputado em Cuiabá. Ou ainda, que o terceiro jogo entre Corinthians x Flamengo seja jogado no Morumbi. Só assim conseguirá um número maior de jogos por estádio, público e renda para a sua viabilização. Mas isso não está na pauta agora.

Os parceiros privados não vão investir só porque o objetivo é a Copa de 2014. Afinal, serão milhões de reais ou de dólares, cujo retorno esperado não é pelo marketing. O retorno esperado pelos empreendedores privados é mesmo financeiro.

Os governos estaduais e municipais vão ter de entrar com recursos orçamentários para garantir a consecução dos estádios. E terão de enfrentar a contestação dos seus contribuintes. Por que aplicar no estádio e não na infraestrutura? Por que aplicar no estádio e não em programas sociais? Essa situação poderia ser evitada.

Mas quem iria convencer as autoridades e dirigentes obcecados pela idéia de que suas cidades fossem escolhidas para a Copa? Nós mesmos não conseguimos.





 
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