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Copa e Cozinha: Praga coreana invade a Liberdade

Fenômeno Melona pinta de verde o bairro oriental de São Paulo

Barrinha verde radioativa vai tomar turistas de assalto (crédito: Divulgação)
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Joana Pellerano*
postado em 07/08/2009 10:29 h
atualizado em 10/08/2009 11:55 h

Ainda não temos nosso blog, que virá em breve. Mas já temos blogueiros, como a Joana Pellerano, jornalista e gourmet, que assina a seção Copa e Cozinha.

Um turista desavisado que vá passear na Liberdade, bairro oriental paulista, será tomado de assalto pelo inopinado, inesperado e repentino fenômeno Melona. Tal turista, coitado, vai achar bastante bizarro ver barrinhas verdes fluorescentes flutuando ao redor da cabeça. Achará, decerto, que andou exagerando no saquê.

Tudo culpa do Melona, picolé cremoso sul-coreano vendido às duzias na vizinhança. Não há um mercadinho oriental, lanchonete, restaurante, papelaria e até salão de beleza sem seu freezer cheio de picolés do Hulk. Eles já viraram parte da paisagem: todo homem, mulher e criança passeia saboreando sua barrinha radioativa.

O chão fica salpicado de papel verde e dizem que no domingo, quando há a feirinha no bairro, chegam a ser consumidos até cinco mil gelados. As outras versões do sorvete, morango e banana, são quase sempre ignoradas pelos consumidores e encalham nas geladeiras. Só lá pelo terceiro Melona original é que o consumidor se arrisca a trocar de sabor.

A invasão Melona que domina a Liberdade brazuca não é um fenômeno isolado. O Melona nasceu em 1992, e já levou sua onda verde para mercadinhos orientais, lanchonetes, restaurantes, papelarias e salões de beleza norte-americanos, canadenses, australianos, neozelandeses e cingapurenses. Diferente, colorido e cheiroso, o quadrado cremoso conquista povo atrás de povo, e se torna imprescindível no pós-refeição ou naquele passeio de fim de tarde.

Provei o Melona e até gostei, mas convenhamos que um picolé cremoso sabor melão não tem como ser a coisa mais gostosa desse mundo. E o negócio custa uns R$ 4, precinho nada modesto para uma guloseima exótica que vale mais pela piada que pelo sabor. Mas faz parte da experiência antropológica, eu acho. Ir na Liberdade, almoçar um yakissoba com espetinho de camarão, reabastecer a despensa de delícias orientais e caminhar equilibrando sacolas com o seu Melona na mão.

E vale lembrar uma derradeira vantagem do Melona: ele ajuda a enaltecer o espírito patriota que nos assoma às vésperas das Copas do Mundo. Sozinho, o picolé sul-coreano já é metade do seu adereço de torcedor...

*Joana Pellerano é jornalista e aficionada por culinária





 
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