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Novo Cais Mauá prevê integração maior com Porto Alegre

Obras devem começar até maio de 2012, com conclusão em 48 meses

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Diego Salgado - São Paulo
postado em 14/12/2011 16:29 h
atualizado em 14/12/2011 16:42 h

Com quase um século de existência, o Cais Mauá, em Porto Alegre, será revitalizado até 2016. A obra, orçada em R$ 500 milhões e aguardada há pelo menos 30 anos, deve ser iniciada até junho de 2012.

A ideia é incorporar a área da orla do Guaíba à capital gaúcha valorizando o patrimônio histórico existente no local. A conclusão deve ocorrer em 48 meses, com a primeira etapa entregue até a Copa do Mundo.

O projeto de renovação do Cais Mauá é uma parceria entre espanhóis e brasileiros. O escritório b720 Fermín Vázquez Arquitectos é o responsável pelo projeto arquitetônico. Já o Jaime Lerner Arquitetos Associados esteve à frente do plano urbanístico.


Panorama geral do projeto de revitalização do Cais Mauá (crédito: Divulgação)

Baseada na revitalização do porto de Barcelona, cujo projeto também é de Fermín Vázquez, o novo Cais Mauá irá criar um espaço urbano em continuidade com o centro de Porto Alegre.

Formado por três cais –o Gasômetro (37 mil m²), Armazéns (86 mil m²) e Docas (64 mil m²)–, a obra prevê a construção de torres com salas comerciais, que estarão presentes da rodoviária até a Usina do Gasômetro. No total, a orla tem 3,5 quilômetros de extensão, com 187 mil metros quadrados de terreno e 203 mil metros quadrados de novas edificações.

De acordo com o arquiteto Paulo Kawahara, do escritório Jaime Lerner, o projeto seguiu diretrizes estabelecidas pelo edital, como o uso e ocupação do solo, mobilidade, patrimônio edificado e ambiental.

"A apropriação dessas informações norteou o partido do projeto no que diz respeito, por exemplo, à relação com o Gasômetro e a praça Brigadeiro Sampaio. Procurou-se estabelecer conexões entre a praça da Revolução Farroupilha, o Mercado Municipal e o setor das Docas", disse.

Além deste caráter de valorização cultural e histórica, a restauração da orla do Guaíba também remete à revitalização do porto de Barcelona por conta do momento vivido pela cidade. Em 1992, o projeto catalão foi impulsionado pela preparação para os Jogos Olímpicos. Para Fermín Vazquez, a Copa também está ligada ao processo que ocorre em Porto Alegre. "É um grande incentivo para as transformações que mostram ao mundo uma qualidade urbana", afirmou.

Segundo o escritório espanhol, há algumas diferenças entre o caso gaúcho e catalão. Em Porto Alegre, a área da orla é mais longa e estreita. Além disso, existe um muro que separa o cais do tráfego de veículos, com o objetivo de proteger a cidade de alagamentos. O projeto prevê a manutenção da barreira.

"O muro, de obstáculo, se converteu em elemento simbólico de integração. Ele será revestido por uma cortina de água, que a noite se converte em uma elegante luminária, reaproximando Porto Alegre do cenário natural do Guaíba", disse Paulo Kawahara.

Rio/Mar
Kawahara afirma que é preciso entender a concepção do local para que o projeto atenda às necessidades da cidade. Para o arquiteto, as áreas à beira-mar são objeto de um processo de valorização imobiliária. Na busca da melhor vista para o mar cria-se um paredão edificado. Esse processo isola o restante da cidade e pressiona áreas de preservação. Assim, o desafio é encontrar um "desenho democrático", com melhor inserção na paisagem.

Já os espaços das orlas dos rios são subvalorizados. Situam-se, como no caso do Guaíba, no fundo da cidade. "É preciso fazer com que as cidades se voltem para seus rios e os entendam como territórios valiosos que compõem o cenário urbano. Eles devem participar das questões das cidades", afirma Kawahara.

"Tivemos a vantagem de analisar a cidade com outro olhar. Vir de fora nos obrigou a fazer um estudo sério das condições da cidade e do contexto do projeto", disse Fermín Vazquez.

Para o arquiteto do escritório Jaime Lerner, a valorização das orlas ajuda a dar visibilidade aos investimentos em saneamento ambiental. “Eles têm impactos diretos na qualidade dos corpos hídricos, além de enriquecer o cenário urbano com elementos de elevado valor paisagístico”, disse.

Parceria Público-Privada
O responsável pela obra é o Consórcio Cais Mauá do Brasil, formado por uma empresa brasileira, o Grupo Bertin, e quatro empresas espanholas. O contrato, uma Parceria Público-Privada, tem validade de 25 anos, com possibilidade de renovação.

Após a revitalização, o consórcio vai gerir o cais gaúcho e deve promover a Feira do Livro e a Bienal do Mercosul. Com a parceria, o governo gaúcho receberá R$ 2,5 milhões anuais do consórcio liderado pelo Grupo Bertin.





 
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