Rampas de acesso, pista tátil, folder em braile, vagas reservadas para cadeirantes espalhadas em todo o plenário, tradução simultânea com linguagem de sinais. Este é o cenário do centro de convenções Gran Hotel Stella Maris, em Salvador. O espaço foi dotado de infraestrutura para acolher o público de pessoas com deficiência que participam hoje (12) do 3º Fórum Copa Bahia 2014.
Organizado pelo governo da Bahia, o evento mostra como está o andamento das obras da capital baiana para receber o Mundial. Com o tema “por uma Copa inclusiva”, o fórum tem um recorte voltado à responsabilidade social: acessibilidade e sustentabilidade.
“Queremos chegar em 2014 com a garantia de que todas as pessoas terão acesso aos eventos da Copa, sejam eles dentro ou fora dos estádios”, afirma Ney Campello, secretário estadual da Copa.
Segundo ele, a Arena Fonte Nova, palco dos jogos, vai assegurar todos os elementos de acessibilidade previstos na legislação federal. “O estádio terá elevadores e banheiros especiais, rampas de acesso, pista tátil e tudo que possa facilitar a mobilidade das pessoas a todos os lugares, desde as arquibancadas até o gramado.”
“Queremos ir além da acessibilidade e garantir que não haja nenhum tipo de segregação”, afirma Almiro Sena, secretário de Direitos Humanos e Justiça da Bahia. “As pessoas que forem ao estádio devem ter circulação plena, sem impedimentos nem barreiras físicas, mas a cidade também deve estar preparada.”
Sena coordena um grupo de trabalho intersetorial sobre acessibilidade na Copa e preparou uma série de orientações que devem ser aplicadas a todas as obras, como estádio, entorno, porto, aeroporto, estações do metrô e até o Pelourinho.
Segundo o coordenador do Conselho Estadual de Pessoas com Deficiência, João Prazeres, 23,9% da população brasileira possui algum tipo de deficiência. “Temos que pensar a cidade de modo que inclua estas pessoas”, afirma.
A arquiteta carioca Regina Cohen, coordenadora do Núcleo de Pró-Acesso da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), dá exemplos das carências da cidade. “Logo ao sair do aeroporto percebi a ausência de táxi especial para cadeirantes. No local do evento, vejo que há uma preocupação com a acessibilidade, porém o hotel só dispõe de dois quartos especiais.”
Economia Criativa
Durante o fórum, foi assinado um convênio entre a Secretaria estadual da Copa (Secopa) e o Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). O objetivo é capacitar empreendedores individuais, micro e pequenos empresários nos setores de turismo, comércio e indústria para aproveitarem as oportunidades de negócio geradas pela Copa.
Até 2014 o Sebrae pretende capacitar dois mil taxistas, mil ambulantes e 300 baianas de acarajé com treinamentos para hospitalidade, gestão de negócios e idiomas. No campo da certificação, o Sebrae vai preparar 100 bares e restaurantes e pelo menos 80 meios de hospedagem.
O diretor de operações do Sebrae Bahia, Lauro Ramos, cita como exemplo a designer de moda Goya Lopes, que prepara estamparias para “lançar moda durante o Mundial”.
O evento marcou ainda o lançamento do “Classificados Oportunidades de Negócios”, do programa Sebrae 2014, com cerca de 200 empresas que já estão capacitadas e oferecem serviços e produtos ligados ao Mundial. A publicação terá periodicidade de três meses.