O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, afirmou nesta quinta-feira (8) que reserva sua opinião a respeito do ex-presidente da Fifa, João Havelange, e sobre sua decisão de apresentar a demissão como membro do COI para evitar ser suspenso por supostos subornos.
"Guardo os meus pensamentos para mim", disse Rogge em entrevista coletiva ao término da reunião do Comitê Executivo do COI, que durou dois dias, em sua sede central de Lausanne (Suíça).
O comitê conheceu os trabalhos da Comissão Ética do COI, cujo assunto principal, até o fim da semana passada, era a possível suspensão de Havelange, de 95 anos, acusado de ter aceito subornos quando presidiu a Fifa entre 1974 e 1998.
Mas Havelange, que enfrentava uma eventual suspensão - e inclusive a expulsão - no caso de o Comitê considerar provado que recebeu US$1 milhão de uma agência que comercializava os produtos da Fifa, evitou este "julgamento público" ao apresentar por surpresa sua carta de renúncia como membro do COI.
Por esta razão, o Comitê Executivo não examinou as acusações contra Havelange por não se tratar oficialmente de um membro do COI, que, por enquanto, deu como terminado o assunto.
Questionado por Havelange, Rogge foi sucinto: "Recebi a renúncia e foi considerada pelo Comitê Executivo. Portanto, o senhor Havelange já não é membro do COI, é agora uma pessoa privada".
Rogge não quis valorizar o impacto pessoal sofrido no 'caso Havelange': "Não estou aqui para expressar meus sentimentos. Tenho umas tarefas e responsabilidades para enfrentar", afirmou.
O presidente do comitê disse que não serão publicadas as conclusões da Comissão Ética sobre o caso, já que se trata de documentos confidenciais, e assinalou que as equipes jurídicas do COI vão considerar a possibilidade de transferir essas conclusões à Fifa.