Escolhido para receber a Copa de 2014 há mais de quatro anos, somente agora, a 30 meses da abertura do Mundial, o Brasil ensaia o pontapé inicial para a maioria das obras de mobilidade urbana. Das 49 obras previstas pelo governo na nova matriz de responsabilidades, apenas 10 estão em andamento. As intervenções ocorrem em apenas cinco cidades-sede: Belo Horizonte (5 obras), Cuiabá (1), Porto Alegre (2), Recife (1) e Rio de Janeiro (1).
Assinada pela primeira vez em janeiro de 2010, a Matriz de Responsabilidades (veja a antiga) foi revista em setembro deste ano. O documento, dessa forma, foi modificado, com novos prazos e valores (veja a nova matriz). No total, as obras de mobilidade estão orçadas em R$ 13,5 bilhões.
Brasília, Fortaleza, Manaus, Recife e São Paulo têm obras atrasadas. No total, são 13 intervenções. Mais 24 obras serão iniciadas nos primeiros meses de 2012. Em Fortaleza e Curitiba, a previsão é que duas adequações comecem ainda em dezembro.
Confira a lista com as obras em cada cidade-sede:
Belo Horizonte
A capital mineira segue o cronograma de obras. Das oito intervenções previstas, cinco já foram iniciadas. O restante começará até março de 2012. O investimento total é de R$ 1,38 bilhões. A previsão é que todas as obras serão concluídas até maio de 2013, um mês antes da Copa das Confederações, que terá uma das semifinais em Belo Horizonte. Os principais projetos são os BRTs das avenidas Antônio Carlos e Cristiano Machado.
Brasília
A cidade que receberá a abertura da Copa das Confederações tem duas obras de mobilidade previstas na Matriz de Responsabilidades. As intervenções, no entanto, não ficarão prontas até o início do torneio que serve de teste para a Copa do Mundo. O VLT, que ligará o aeroporto Juscelino Kubitschek à Asa Sul, enfrenta problemas desde 2009, quando o edital de licitação foi lançado. Colocada sob suspeita pela Justiça do Distrito Federal, a obra foi suspensa em abril deste ano. Um novo processo licitatório deve ser iniciado até o final do ano.
Cuiabá
Para melhorar o quadro de mobilidade urbana a tempo da Copa, Cuiabá apostou no Veículo Leve sobre Trilhos, que tem orçamento acima de R$ 1 bilhão. A escolha do sistema, no entanto, está sob suspeita, com possível fraude no parecer técnico do Ministério das Cidades que legitimou o VLT como projeto preferencial para a Copa. A polêmica não alterou a previsão da Secretaria da Copa, que garante o início das obras para o primeiro trimestre de 2012. Cuiabá ainda chama atenção para as intervenções no corredor da rodovia Mário Andreazza; duas delas já estão em andamento.
Curitiba
Com apenas quatro jogos no Mundial e fora da Copa das Confederações, a cidade terá nove obras de mobilidade até 2014. Orçadas em R$ 453 milhões, as mudanças serão iniciadas nos primeiros meses de 2012. Apenas a extensão da Linha Verde Sul deve começar ainda este ano. Segundo o governo, a obra ainda está na fase de licitação. O mesmo ocorre com a requalificação do corredor da avenida Marechal Floriano Peixoto, prevista para fevereiro de 2012.
Fortaleza
As obras do VLT Parangaba-Mucuripe ainda não começaram, devido às negociações com os moradores que serão desapropriados. As intervenções viárias em cinco avenidas, embora já licitadas, só serão finalizadas em agosto de 2013, dois meses após a Copa das Confederações.
Manaus
Os dois projetos de mobilidade urbana que Manaus planejou para a Copa de 2014 correm o risco de não ficar prontos até a competição. O monotrilho, orçado em R$ 1,55 bilhão, tem seu projeto contestado pela Controladoria Geral da União e pelo Ministério Público Federal no Amazonas, que apontam irregularidades e falta de especificações --como preço da tarifa do modal e material a ser utilizado na obra-- no projeto. Já o BRT (as linhas exclusivas de ônibus) também sofre com os atrasos. Diante dos problemas, o governo amazonense chegou a admitir que ao menos o monotrilho não é obra essencial para a Copa.
Natal
A cidade de Natal tem 16 projetos viários inscritos na Matriz de Responsabilidades. Destas, onze são do município e cinco do governo estadual. Atrasos nos projetos e problemas com desapropriações estão provocando sucessivos adiamentos no início das obras, que poderão estender-se até o período da Copa.
Porto Alegre
Fora da Copa das Confederações, Porto Alegre aliviou o pé no acelerador dos projetos de transporte público. Das dez obras de mobilidade urbana que constam no "pacote da Copa", duas intervenções viárias estão em andamento. Os três corredores exclusivos de ônibus (BRTs) ainda esperam pela fase de licitação. Assim, o prazo máximo de entrega das obras foi alterado para dezembro de 2013.
Recife
Exceção entre as cidades-sede de 2014, Recife concluiu a licitação de suas obras de mobilidade urbana. No entanto, apenas um projeto da capital pernambucana teve obras iniciadas, mesmo assim com atraso. As quatro obras do governo estadual, entre elas três BRTs, têm ordem de serviço assinada, mas esbarram na desapropriação de ao menos 250 imóveis. No total, estão planejados R$ 991,3 milhões em investimentos viários e no transporte público até 2013.
Rio de Janeiro
Das quatro grandes obras previstas na cidade, o BRT Transcarioca permanece na nova Matriz de Responsabilidades. O trecho ligará a Barra da Tijuca ao aeroporto Galeão, está orçado em R$ 1,88 bilhão. O início da obra ocorreu em março e deve ser concluído até outubro de 2013. Mais três linhas do modal serão implantadas até 2016, mas somente o BRT Transoeste tem obras em andamento. Transolímpica e Transbrasil devem começar as obras. A capital fluminense também terá ampliação no metrô, da zona sul à Barra.
Salvador
Depois de escolher o metrô para encabeçar o Sistema Integrado de Transporte Metropolitano da cidade de Salvador o governo estadual da Bahia já não promete entregar o equipamento antes do Mundial de 2014. Inicialmente, conforme registrava a Matriz de Responsabilidades, a proposta era implantar o sistema BRT, mas o governo conseguiu incluir o projeto do metrô no PAC da Mobilidade, com orçamento (e financiamento) de R$ 1,6 bi. Agora, tudo voltou à estaca zero.
São Paulo
A capital paulista mantém a proposta - embora ainda em fase de projeto - do monotrilho Congonhas-Morumbi (1º trecho) como obra de mobilidade para a Copa de 2014. Mas também prevê investimentos (R$ 2,5 bilhões) em novas obras viárias e na modernização do sistema de trens (CPTM e metrô) para facilitar o acesso à região de Itaquera, onde acontecerão os jogos do Mundial. Nenhuma das obras foi iniciada e o projeto do monotrilho Linha 17 Ouro foi paralisado ontem (5) pela Justiça paulista.
* Colaboraram: Alexandre de Santi, Caroline Aguiar, Diego Salgado, Felipe Castro, Gabriela Ribeiro, George Fernandes, Jackeline Farah, Leandro Cabido, Leo Barsan, Lúcio Pontes Filho, Marcos de Sousa, Rafael Massimino e Regina Rocha.