Para comportar o fluxo de turistas da Copa de 2014 e lidar com o crescimento da frota de veículos, Porto Alegre definiu um pacote com dez obras de mobilidade urbana. No entanto, uma série de entraves fez com que a primeira safra de licitações fosse lançada apenas em outubro deste ano, o que vem provocando atraso no início das obras.
A demora lembra os adiamentos na reforma do Beira-Rio, paralisada há seis meses por conta de problemas no contrato (saiba mais).
Menos mal para a prefeitura porto-alegrense, que terá mais tempo para melhorar os acessos ao estádio do Sport Club Internacional e construir três corredores exclusivos de ônibus, os BRTs (Bus Rapid Transit), em avenidas importantes da cidade.
A proposta original era entregar a maior parte das obras já em 2012. Com a alteração no cronograma, os prazos passaram para dezembro de 2013.
Nova Matriz
O investimento nas dez obras de mobilidade para a Copa soma R$ 560 milhões. A principal mudança na Matriz de Responsabilidades --da primeira, em janeiro de 2010, para a segunda versão, em setembro de 2011-- foi a exclusão do BRT da avenida Assis Brasil, motivada pela aprovação do metrô de Porto Alegre no PAC 2, do governo federal.
No lugar, foi incluído o BRT da avenida João Pessoa, que ligará o centro até outro BRT, o da avenida Bento Gonçalves. O metrô, que não entrou no pacote da Copa, deve estar pronto depois de 2014. No entanto, deverá facilitar o acesso do centro à zona norte, área mais populosa de Porto Alegre.
A segunda alteração nas obras da matriz se refere à avenida Moab Caldas (Tronco), cuja extensão passou de 3,2 km para 5,3 km. O recurso é quase o mesmo. A diferença é que parte da verba, que estava destinada a desapropriações, passará para a via. A prefeitura assumirá os custos da remoção das famílias.
No pacote da Copa, ainda está previsto um viaduto e uma nova estação de ônibus no entorno da rodoviária, a duplicação da avenida Voluntários da Pátria e o BRT da avenida Protásio Alves, além do monitoramento dos corredores.
Dois anos foram gastos para detalhar os projetos de mobilidade urbana da Copa. Alguns problemas foram diagnosticados quando a prefeitura assinou um convênio com o Ciergs (Centro das Indústrias do Rio Grande do Sul), em outubro de 2009, para a elaboração dos projetos básicos.
A Caixa Econômica Federal (CEF), banco financiador das obras, chegou a considerar os projetos insuficientes e se recusou a liberar os recursos até que fossem feitos maiores detalhamentos.
Trânsito
Enquanto isso, o trânsito de Porto Alegre enfrenta uma piora significativa. A frota de veículos cresceu 31% desde 2004, ritmo que não foi acompanhado pela construção de novas vias.
Uma das únicas obras recentes foi a da Terceira Perimetral, maior via de Porto Alegre que liga a zona sul ao aeroporto Salgado Filho, na zona norte, com 12 km de extensão. Uma série de outras intervenções previstas há anos para amenizar os engarrafamentos só se concretizará com o pacote da Copa.
Duas obras estão em andamento, e não por acaso as que têm relação direta com o Mundial. Trata-se do prolongamento da avenida Severo Dullius, que formará um anel viário no entorno do Aeroporto Salgado Filho, e da duplicação da avenida Edvaldo Pereira Paiva, conhecida como Beira-Rio, que abriga o estádio do Internacional.
A duplicação da Beira-Rio inclui os 5,8 km de extensão da via e foi dividida em quatro trechos. Dois deles, entre a avenida Ipiranga e o estádio, já estão em andamento e devem ficar prontos até março. A primeira etapa teve início em julho de 2010.
Serão quatro pistas para o tráfego de automóveis, com ciclovia. O terceiro trecho da duplicação, entre o estádio e a avenida Pinheiro Borda, teve o edital lançado em outubro.
Restam ainda três licitações da avenida Beira-Rio –uma para a quarta parte da duplicação, entre o Gasômetro e a Rótula das Cuias; a ponte sobre o Arroio Dilúvio, na avenida Ipiranga; e o viaduto junto ao cruzamento da Pinheiro Borda com a avenida Padre Cacique.
Trata-se de um conjunto de ações que deve melhorar o fluxo no entorno do estádio, embora nos dias de jogos da Copa uma boa parte da Beira-Rio e da Padre Cacique deve permanecer fechada, já que a Fifa sugere o acesso a pé no trecho mais próximo do estádio.
Na área da Severo Dullius, que terá 2,4 km de prolongamento duplicado, a ligação com a avenida Sertório começou em setembro. Com a obra finalizada, a Severo Dullius será um acesso alternativo ao aeroporto.
Editais
Além da Beira-Rio e da Severo Dullius, os demais projetos de mobilidade urbana foram divididos em etapas, das quais seis tiveram licitações lançadas em 31 de outubro (confira lista abaixo).
As demais partes dessas intervenções e os dois projetos restantes devem ter editais publicados em novembro, dezembro e janeiro de 2012, segundo a coordenadora do Gabinete de Articulação Institucional da prefeitura, Ana Pellini. O esforço é para finalizar tudo até dezembro de 2013.
A prefeitura ainda não decidiu se decretará feriado na data das partidas.