A reconstrução do Mineirão para o Mundial de 2014 registrou avanço de 40% neste mês de novembro, segundo a Secretaria estadual da Copa (Secopa), e está entre as mais avançadas do evento esportivo. Mas isso não significa que o principal estádio mineiro tenha passado 2011 imune a problemas.
Duas greves e o vazamento de uma análise parcial do Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontando superfaturamento de até R$ 22 milhões colocaram em xeque as obras do estádio. A segunda paralisação teve início em setembro, justamente durante a visita da presidente Dilma Rousseff para comemorar os mil dias para a Copa.
Apesar destes problemas, a principal derrota dos mineiros foi mesmo a perda da abertura do Mundial para São Paulo e da final da Copa das Confederações de 2013 para o Rio de Janeiro.
Mesmo com a semifinal garantida nas duas competições, a Secopa e o consórcio Minas Arena (Construcap, Egesa e Hap) esperavam ao menos um papel de destaque no evento-teste da Fifa.
Andamento da obra
Sem grandes badalações, o governo manteve o cronograma de obras. Ao todo, 1.500 operários trabalham para entregar o Mineirão em 21 de dezembro de 2012.
No momento, a arena está em sua última fase de obras. O destaque foi o início da montagem da esplanada, um espaço que comportará até 60 mil pessoas na parte externo do Gigante da Pampulha, e que consumirá um terço do valor da empreitada (R$ 228 milhões).
A esplanada terá lanchonetes, restaurantes, lojas, bares e as bilheterias do estádio. No subsolo desta estrutura de 80 mil metros quadrados ficarão os novos estacionamentos, com 2.600 vagas, além de um museu dedicado ao futebol mineiro. A intenção é que o espaço receba grandes eventos culturais no pós-Copa.
Para montar a esplanada serão utilizadas cinco mil peças pré-moldadas. De acordo com a Secopa, até o momento foram instaladas 600 peças, sendo que outras três mil estão em estoque. Os trabalhos devem ser concluídos até junho do próximo ano.
Além da montagem da esplanada, os serviços de fundações estão na reta final. Na parte interna, 65% dos trabalhos estão concluídos; na externa, 70%.
Cobertura
As construtoras também começam a preparar a estrutura que receberá a cobertura metálica, que está em fabricação. Segundo o diretor-presidente do consórcio Minas Arena (Construcap, Egesa e Hap), Ricardo Barra, a cobertura é um dos pontos mais sensíveis da obra.
“O que dificulta o trabalho é o fato da obra em si ser uma reforma, já que temos que utilizar toda a estrutura existente na readequação do Mineirão”, afirma.
“Isso deixa a reforma ainda mais complexa. Não podemos, por exemplo, trabalhar a estrutura externa porque ela é tombada pela cidade”, lembrou Barra, citando a tradicional fachada arcada do Magalhães Pinto.
Uma das preocupações dos responsáveis do estádio é o período de chuvas, já que em Belo Horizonte elas costumam ocorrer com frequência entre outubro e março. No entanto, a Secopa descarta atrasos no cronograma.
Modelo
O contrato de reforma do Gigante da Pampulha é uma Parceria Público-Privada. Ao todo, a obra foi dividida em três etapas, sendo que o governo mineiro se responsabilizou pelas duas primeiras e a Minas Arena ficou com a última, que constitui o grosso da empreitada.
Após a conclusão, o Mineirão terá capacidade para 67 mil torcedores, com 80 camarotes e espaço para quase três mil jornalistas. Em sua área externa, a esplanada ficará aberta 24 horas, além de comportar shows e outros eventos.