Ponte x barco
Até 1960, moradores de Porto Alegre e Guaíba, cidades separadas pelas águas, costumavam se deslocar até o cais para fazer a travessia por barcas. O serviço foi desativado quando a ponte sobre o Guaíba, inaugurada em 1958, passou a ser a opção preferencial. Com a travessia asfaltada, uma distância de 31,3 km passou a separar os centros das duas cidades. Hoje, no entanto, com a ponte saturada por congestionamentos, o tempo de viagem é incerto, o que já levou a presidente Dilma Rousseff a prometer a construção de uma segunda ponte sobre o lago.
Como o tráfego pesado na ponte vinha prejudicando os moradores de Guaíba, principalmente os que trabalham em Porto Alegre, no ano passado o governo do estado abriu concorrência para a volta do serviço. Inicialmente, imaginou-se que a ligação fluvial teria mais procura nos dias de semana, para atender aos trabalhadores, e a programação inicial previa saídas de hora em hora entre 6h e 19h30 nos dias semana e horários reduzidos no sábado e domingo. Mas a possibilidade de ver a cidade de um novo ângulo entusiasmou a população e a empresa ampliou o horário dos finais de semana, que agora também saem de hora em hora. “A demanda de turismo nos pegou de surpresa. Mas estamos bem satisfeitos”, explica o diretor da CatSul.
A viagem leva cerca de 22 minutos em cada trecho. O bilhete custa R$ 7, mas, até o final de novembro, terá preço promocional de R$ 6 em dias de semana (a tarifa de ônibus entre as cidade é de R$ 4,85). Como a procura é grande, recomenda-se que a compra seja feita com antecedência, dentro de um limite de até 30 dias. Como os tíquetes não são vendidos por telefone ou pela internet, é necessário ir até os terminais hidroviários para adquirí-los.
Travessia mais confortável
O Portal 2014 embarcou às 15h desta segunda-feira com destino à Guaíba no catamarã Ana Terra que, junto do Carlos Nobre, transporta até 120 passageiros por trecho. A sala de espera é confortável e lembra uma área de embarque de aeroporto, com ar condicionado, banheiros e cadeiras confortáveis.
A CatSul investiu R$ 7 milhões nos catamarãs e na infra-estrutura do serviço. Dentro da embarcação, o passageiro que sentar do lado esquerdo terá uma bela vista de Porto Alegre. Desde o Mercado Público, o viajante pode observar alguns pontos turísticos da capital gaúcha, como o Cais Mauá, a Usina do Gasômetro, a Igreja das Dores e o estádio Beira-Rio. O ambiente é climatizado, limpo e conta com dois marinheiros (seriam hidromoços?) para auxiliar os passageiros. Itens de segurança como coletes salva-vidas tem fácil acesso. No início da viagem, um pequeno vídeo traz informações de segurança e sobre a embarcação. Mesmo no meio do Guaíba, o sinal de telefonia 3G é alto. Há área de estacionamento de bicicletas na parte externa dos catamarãs.
O sistema está agradando principalmente aos moradores de Guaíba, cidade de cerca de 95 mil habitantes, que dependem de viagens à capital gaúcha para realizar uma série de atividades. Passageiros como a dona de casa Iris Leão comemoravam a volta do serviço na tarde de segunda-feira. “Este ano, vai ser mais fácil carregar as compras de Natal”, disse. Iris, que conheceu as barcas utilizadas cinquenta nos atrás, na sua primeira viagem da nova travessia, diz que aprovou a volta do transporte público sobre as águas.