A intenção era boa, mas ficou só no papel. Em 2007, quando a Fifa anunciou que a Copa seria disputada no Brasil, o governo federal fez questão de contemplar as cinco regiões do país.
Agora, em outubro de 2011, as recém-divulgadas tabelas da Copa das Confederações e da Copa de 2014 mostram que a divisão igualitária dos eventos ficou apenas na conversa.
Revelado no último dia 20, na Suíça, o calendário do Mundial deixa claro que o poderio econômico foi critério predominante na partilha feita pela Fifa.
Donos de 70% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, sudeste e nordeste abocanharam nada menos que 62,5% dos jogos da Copa. Fortaleza, Natal, Recife e Salvador receberão 21 partidas, enquanto Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo ficarão com 19.
Pelo critério econômico, destoa apenas a região sul, dona do segundo maior PIB do país. A explicação é que as obras de Arena da Baixada e Beira-Rio estão paradas. Com isso, Curitiba e Porto Alegre ficaram com apenas nove partidas da Copa, sendo que a mais importante será uma das oitavas de final na capital gaúcha.
O desequilíbrio regional é ainda maior na segunda fase do torneio. Sudeste e nordeste sediarão 12 dos 16 jogos finais, ou 75% das partidas.
Mas é o sudeste que mais se destaca quando se trata dos principais jogos da Copa. A região produziu 56% das riquezas do país em 2008, segundo os dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Talvez por isso ficará com as partidas de maior relevo do Mundial.
Depois de uma disputa acirrada com Minas Gerais, Distrito Federal e Bahia, São Paulo levou a abertura da Copa e, de quebra, uma das semifinais. A outra partida que define o finalista será disputada em Belo Horizonte. E como já era sabido há tempos, o Rio sediará a final.
Cariocas e paulistas também levaram todos os eventos paralelos ao Mundial. O Centro de Mídia ficará no Rio. É lá que milhares de jornalistas ficarão concentrados para distribuir as informações sobre o Mundial.
Mesmo fora da Copa das Confederações por conta do cronograma apertado do Itaquerão (pronto só no final de 2013), São Paulo sediará o sorteio das chaves do evento-teste. A capital paulista receberá também o seminário de árbitros e o Congresso da Fifa. Este, evento que reúne mais de dois mil cartolas nas semanas que antecedem a cerimônia de estreia do Mundial.
Outras regiões
Centro-oeste, norte e sul ficaram com os 37,5% restantes da Copa. As três regiões concentram sedes que receberão a quantidade mínima de jogos: Manaus, Cuiabá e Curitiba.
Brasília, a sede com mais jogos da Copa ao lado do Rio de Janeiro, será palco de sete confrontos. A capital federal receberá, entre eles, a decisão do terceiro lugar e o último jogo da seleção brasileira na primeira fase.
*COLABOROU: Rafael Massimino