O "Portal 2014" publica uma série de reportagens do site Mobilize Brasil sobre a situação da mobilidade urbana sustentável em 13 capitais. Nesta quinta-feira, destaque para São Paulo
Com 11 milhões de habitantes e mais de 7 milhões de veículos automotores, a cidade de São Paulo ostenta indicadores vergonhosos de mobilidade. O trânsito paralisa todas as tardes. Congestionamentos de 100 km a 150 km se tornaram normalidade, e os recordes já ultrapassam a marca dos 200 km, apenas considerando a área mais central da cidade que é monitorada pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).
O colapso da mobilidade também afeta os transportes coletivos. No metrô e nos trens urbanos, a ocupação chega a até nove passageiros por metro quadrado em horários de pico, que agora se estendem das 7h às 9h, das 11h às 13h e das 18h às 21h. Nesses horários, até mesmo ônibus em corredores exclusivos são afetados: a velocidade cai sensivelmente e longas filas de veículos se formam nas plataformas de embarque e desembarque.
Se a última pesquisa Origem e Destino realizada pela Secretaria de Transportes Metropolitanos (2007) apontava uma tendência de incremento das viagens por transportes coletivos, o aquecimento da economia a partir de 2008 e a oferta de crédito fácil resultaram no crescimento da frota de automóveis particulares nos últimos três anos.
Hoje a cidade tem mais gente no mercado de trabalho, com maior capacidade de compra e mais necessidade de transporte. Daí, mais carros e motos, mais tráfego, mortes no trânsito (1.400 mortos em 2010) e a crescente poluição do ar, que ceifa outras 4 mil vidas por ano, segundo dados da Faculdade de Medicina da USP.
No entanto, observa-se uma retomada dos projetos e obras de transportes públicos de média e grande capacidade. Exatamente na Semana de Mobilidade, o governo do estado inaugurou duas importantes estações da Linha 4 Amarela do metrô (República e Luz), que agora está conectada às linhas 1 e 3 e aos trens da CPTM. O trecho inaugurado permite que a viagem entre o centro e o bairro do Butantã, onde fica o campus da USP e o estádio do Morumbi, seja feita em 20 minutos. O mesmo caminho, de automóvel ou ônibus, pode consumir mais de uma hora, dependendo do congestionamento no corredor Consolação-Rebouças.
Retomada de investimentos
Iniciado em 1970, hoje o metrô paulistano conta com 75 km de linhas e 64 estações em operação. O que é muito pouco para a maior metrópole brasileira. A rede de metrô e trens ficou praticamente estagnada nos anos 1990, por absoluta falta de investimentos. De tamanho comparável, a A Cidade do México, que começou seu metrô também nos anos 1970, conta hoje com 200 km de linhas. Os planos da Secretaria de Transportes Metropolitanos até 2025 preveem a expansão do sistema sobre trilhos, com a expansão do metrô e a modernização dos trens urbanos, movimento que foi retomado na prática apenas nos anos 2000.
No momento, o governo do estado trabalha para atender as demandas que serão geradas pela Copa de 2014 e que poderão ficar como legados para a cidade. O projeto mais importante é uma linha de monotrilho, orçada em R$ 2,86 bilhões e que conta com recursos do PAC da Mobilidade Urbana. A Linha 17 Ouro deverá ter cerca de 22 quilômetros e irá conectar o aeroporto de Congonhas ao sistema metroferroviário da cidade.
Segundo a Companhia do Metrô, até 2014 outra linha de monotrilho estenderá a Linha Verde do metrô até o bairro de Cidade Tiradentes, extremo leste da cidade, mas a licitação ainda não foi lançada.
Expresso Aeroporto
Além das novas linhas de metrô, o governo paulista promete investir na modernização dos sistemas de transporte (metrô e trens) para o bairro de Itaquera, onde ficará o estádio sede da Copa. O objetivo é aumentar a frequência de circulação de trens para atender a alta demanda da região. Também na zona leste da cidade, a nova linha Expresso Aeroporto permitirá uma ligação rápida (15 minutos) entre o Aeroporto de Cumbica (em Guarulhos) e o centro da capital. No entanto, o projeto ainda não foi licitado e não há data para entrega do novo ramal, o que coloca dúvidas sobre sua efetivação a curto prazo.