Os operários que constroem a Arena Pernambuco, estádio da Copa em São Lourenço da Mata, Região Metropolitana do Recife, entraram em greve na manhã desta terça-feira (1).
Os cerca de 1.400 trabalhadores reclamam de maus tratos e assédio moral por parte do chefe da segurança das obras do estádio, o coronel reformado Eduardo Fonseca, e de um encarregado, conhecido como Marreco.
De acordo com o assessor de imprensa do Sindicato dos Trabalhadores na Construção de Estradas, Pavimentação e Terraplenagem em Geral do Estado de Pernambuco (Sintepav-PE), Leodelson Bastos, o estopim da greve foi a demissão de dois membros da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), um carpinteiro e um ajudante.
“O pessoal só volta às atividades quando o coronel e este funcionário saírem da obra e quando os dois trabalhadores demitidos forem reintegrados”.
Segundo Bastos, a Odebrecht não procurou o sindicato até o momento. Amanhã não haverá expediente nas obras da arena e na quinta-feira deve acontecer uma manifestação no local.
Responsável pela obra, a construtora Odebrecht decidiu entrar com uma ação no Tribunal Regional do Trabalho de Pernambuco para pedir que a greve seja considerada ilegal.
"A paralisação é totalmente descabida, uma vez que está em plena vigência acordo coletivo de trabalho firmado com este mesmo sindicato no último mês de setembro. Acordo que vem sendo cumprido integralmente pela empresa", afirma a empresa por meio de nota.
"Não cabe ao sindicato também contestar duas demissões realizadas na obra, uma vez que esta é uma decisão legítima da empresa, a quem compete avaliar o desempenho de seus colaboradores", continua o comunicado.
Advertência
No dia 19 de outubro, os funcionários da Arena Pernambuco fizeram uma paralisação de advertência nas obras do estádio para reivindicar reajuste no valor da cesta básica e aumento da hora extra. Após a paralisação, houve uma rodada de negociações entre o Sitepav e a Odebrecht, que ainda não entraram em acordo.
No momento, a obra do estádio Mané Garrincha, em Brasília, também enfrenta uma greve. Os trabalhadores cruzaram os braços na última quarta-feira exigindo melhores condições de trabalho e aumento salarial.
Além de Brasília e Recife, Belo Horizonte e Rio de Janeiro também enfrentaram greves na construção dos estádios para a Copa de 2014.