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"Estepe" na Copa, Salvador pode frear construção da Fonte Nova

Candidata à abertura do Mundial, capital baiana receberá, no máximo, uma das quartas de final

Obras da Fonte Nova em outubro (crédito: Divulgação)
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Rodrigo Prada* - Brasília
postado em 31/10/2011 18:02 h
atualizado em 31/10/2011 18:08 h

Causou revolta nos organizadores da Copa em Salvador o papel secundário que a cidade exercerá nos eventos da Fifa em 2013 e 2014.

Responsável pela reconstrução da Fonte Nova, o governo da Bahia já pensa em tirar o pé do acelerador para poupar recursos dos cofres estaduais. O diagnóstico é que não vale a pena implantar novos turnos de obra para concluir o estádio no prazo exigido pela Fifa, dezembro de 2012. A obra começou em junho de 2010 e avançou 27%.

Das quatro sedes candidatas à abertura do Mundial, a capital baiana foi a mais prejudicada na partilha anunciada pela Fifa no último dia 20, em Zurique. Com seis jogos da Copa, Salvador terá como sua partida mais importante uma disputa de quartas de final.

São Paulo ficou com a abertura e uma semifinal, Belo Horizonte com a outra semifinal, e Brasília receberá um jogo da seleção brasileira, além da disputa do terceiro lugar.

Nem mesmo a participação da capital baiana na Copa das Confederações está garantida. Pelo discurso do secretário-geral da entidade, Jerome Valcke, Salvador e Recife terão que cumprir uma série de exigências para confirmar presença no evento-teste.

Apenas quatro sedes garantiram vaga no torneio preparatório de 2013: Brasília (abertura), Rio de Janeiro (final), Belo Horizonte e Fortaleza (semifinais).

A sensação dos organizadores baianos é que Salvador foi colocada como “estepe”. Assim, caso alguma das titulares não consiga finalizar suas obras a tempo, a capital baiana entraria como boia de salvação da Fifa.

Nos bastidores, é forte a impressão de que o Rio de Janeiro atrasará a entrega do Maracanã. O estádio enfrentou duas greves neste ano.

Campanha
A capital baiana oficializou em agosto de 2010 sua candidatura à cerimônia de estreia do Mundial. A campanha envolvia celebridades locais como a cantora de axé Daniela Mercury, e tinha até slogan (“O primeiro passe, o primeiro drible, o primeiro gol, tem que ser em Salvador”).

No entanto, o pleito baiano nunca foi levado a sério pela Fifa, que aguardava apenas definições políticas e financeiras para oficializar São Paulo como palco do jogo inicial da Copa.

Um dos pontos fracos da candidatura baiana era a capacidade da Arena Fonte Nova. O estádio que custará R$ 591 milhões aos cofres estaduais comportará 50 mil torcedores, quando o mínimo para a abertura da Copa é 65 mil.

O governo pretendia contornar a deficiência com arquibancadas desmontáveis. O mesmo artifício será usado no Itaquerão, já que o estádio paulista terá somente 48 mil lugares fixos.

Além de perder a abertura, Salvador também deixará de receber outros eventos ligados ao Mundial: Centro de Mídia (Rio de Janeiro), Congresso da Fifa, Seminário de Árbitros e sorteio das chaves da Copa das Confederações (todos em São Paulo).

*Rodrigo Prada é titular do blog Tira-Teima





 
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