O Portal 2014 publica uma série de reportagens do Mobilize Brasil sobre a situação da mobilidade urbana sustentável em 13 capitais do país. Nesta segunda-feira, destaque para o Rio
A cidade do Rio de Janeiro, que sediará a conferência Rio+20, a final da Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, enfrenta há décadas problemas de mobilidade urbana. Construída entre as montanhas e o mar, a cidade sofre com grandes engarrafamentos, que roubam até cinco horas diárias de seus moradores.
Apesar das vias de tráfego rápido, como as Linhas Vermelha e Amarela, construídas nas últimas três décadas, os caminhos que circundam o município tornaram-se grandes filas de automóveis. O problema se explica de um lado pela explosão imobiliária na região da Barra da Tijuca, em direção à zona oeste da cidade, e de outro pelo crescimento explosivo da frota de veículos.
Nos últimos dez anos, o número de carros aumentou cerca de 34% na cidade. Ou seja, mais carros passam a disputar os mesmos espaços no sistema viário que havia antes. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), em 2001 a frota de veículos da cidade do Rio era de 1.169.547. Em julho de 2011 o total já chega a mais de 1.600.000, ou seja, mais de 450 mil novos veículos circulando nas ruas em dez anos.
Para o professor do Programa de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ, Ronaldo Balassiano, o transporte coletivo é o melhor meio de locomoção nas cidades, mas reconhece que há necessidade de melhorias nos veículos e sistemas e também um trabalho de conscientização dos usuários. “É preciso que haja campanhas elucidando a vantagem do transporte coletivo para que a população se eduque, até porque [a migração do transporte individual para o coletivo] não é um processo rápido”, diz.
BRTs e BRSs
Quatro projetos de BRT (Bus Rapit Transit), sistema de corredor exclusivo de ônibus articulados, são realizados pela prefeitura do Rio de Janeiro. A primeira obra, iniciada em julho de 2010, foi o corredor Transoeste (Barra da Tijuca/Santa Cruz/Campo Grande). Com previsão de término para junho de 2012, a via terá 56 km divididos em cinco lotes, com custo total de R$ 800 milhões. Segundo a Secretaria Municipal de Obras (SMO), três lotes já foram licitados, no valor de R$ 692,1 milhões.
Outra obra em curso é o Transcarioca (Barra da Tijuca/Penha/Aeroporto Internacional do Galeão), formado por dois lotes. A primeira parte da obra (Barra da Tijuca/Aeroporto) começou a ser construída em março deste ano, e o segundo lote (Penha/Aeroporto) está sendo licitado. A obra, que deve ser concluída em três anos, está orçada em R$ 1,3 bilhão, financiado pelo governo federal.
Em agosto deste ano a SMO publicou no Diário Oficial a consulta pública para concessão de implantação, operação e outras atribuições para o corredor Transolímpica (Recreio dos Bandeirantes/Deodoro). O modelo será o de concessão, precedida de obra pública, com valor estimado no edital de R$ 1,6 bilhão. Por ser uma concessão, haverá cobrança de pedágio. A concorrência ocorrerá no mês de setembro e a obra deverá ser iniciada em 2012, com previsão de término em cerca de 40 meses. Outro projeto de BRT é o TransBrasil, que a SMO explica ainda estar em fase de captação com o governo federal. Todos os novos ônibus serão acessíveis a pessoas com deficiências físicas.
Na visão do professor Ronaldo Balassiano, as soluções propostas para resolver os problemas de mobilidade são sempre bem-vindas. Para ele, porém, ainda falta harmonização entre os governos municipal e estadual. “Os governos deveriam ter uma visão integrada em relação aos sistemas de mobilidade. Um não pode falar que o BRT é só da alçada dele. Eles deveriam tratar esses projetos como coisa única, para benefício da cidade”.
Além dos projetos de BRTs, a prefeitura investe no sistema rápido de ônibus, o BRS (Bus Rapid System)O primeiro bairro a receber o sistema de faixas preferenciais para ônibus foi Copacabana, em fevereiro deste ano. Neste mês foi a vez do Leblon e Ipanema, todos na zona sul da cidade, adotarem o BRS. Segundo números da Companhia de Engenharia de Tráfego da cidade (CET-Rio), o tempo de viagem para quem usa transporte público passou de 23 para 12 minutos na avenida Nossa Senhora de Copacabana. Os planos da CET prevêem que a experiência será estendida ao centro da cidade até o final de 2011, e também a bairros da zona norte, até o final de 2012
Para Balassiano, a vantagem do BRS é a constância do tempo de viagem. “A pontualidade, a certeza de que o trajeto será feito em 15 minutos, por exemplo, num dia, e saber que no outro levará o mesmo tempo, este é o grande ponto do BRS”, diz.