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São Paulo terá novo parque às margens do Rio Tietê

Projeto prevê 70 km de áreas verdes no extremo leste da cidade. Parte da obra estará pronta em 2014

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Marcos de Sousa - São Paulo
postado em 24/10/2011 12:41 h
atualizado em 24/10/2011 14:41 h

Projeto do arquiteto Ruy Ohtake prevê parque linear com 75 km ao longo do mais simbólico rio paulista. Ciclovia com 140 km e 33 núcleos compõem a obra, que deve ficar pronta até 2016, mas já servirá os turistas que forem a São Paulo para a Copa de 2014

O arquiteto Ruy Ohtake assina o novo projeto do Parque Várzeas do Tietê, envolvendo os municípios de Salesópolis, Biritiba-Mirim, Mogi Cruzes, Suzano, Poá, Itaquaquecetuba e Guarulhos, além dos bairros de São Miguel Paulista e Penha, na zona leste de São Paulo. A fração já executada do projeto está no extremo leste da capital, exatamente entre o aeroporto de Cumbica e a futura Arena Corinthians, em Itaquera.

O trabalho envolve os cerca de 75 km do rio (veja mapa) entre sua nascente e a barragem da Penha, ainda repletos de sinuosidades e lagoas, tal como era o Tietê até 1940 antes de sua retificação. Ohtake explica que o projeto tem uma característica mais urbana na região metropolitana  porque a cidade roubou quase 70% da várzea.


Vista futura do parque na região de Biritiba-Mirim (crédito: Ruy Ohtake Arquitetos)

O projeto procura recuperar ao rio nas áreas ocupadas por moradores de baixa renda, hoje vivendo sob risco de inundações. "Algumas casas estão literalmente dentro do rio, como palafitas", explica Ohtake.  Além de equacionar o problema de moradia, por meio da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), o plano prevê a instalação de uma série de equipamentos sociais e de lazer para essas populações, como parques infantis, quadras esportivas e equipamentos para ginástica.


São assim os núcleos Jardim Helena, Itaim Biacica, Jardim Any Jaci, que tiveram suas obras contradas agora no mês de agosto de 2011, com financiamento de 330 milhões de dólares do BID. Esta fase do projeto deverá ficar pronta até 2012, e o restante da obra, até Salesópolis, em 2016, prevê o arquiteto.

Ciclovia: 140 km
O ponto mais visível do Parque Várzeas do Tietê é o núcleo Vila Jacuí, implantado a partir de 2009 às margens da rodovia Airton Senna, junto à conexão com a av. Jacu-Pêssego. Ali, todos os dias, é possível ver o parque intensamente utilizado pela população local e utilizar parte da ciclovia de 140 km que será construída em torno do Tietê. Ruy Ohtake explica que a partir de Itaquaquecetuba as margens do rio ganham contornos naturais encantadores, com grande apelo para o turismo ecológico.

O plano prevê uma ciclovia que acompanha toda a margem do rio até a nascente, em Salesópolis, e retorne, pela outra margem, a São Paulo. Nesse trajeto, 33 núcleos serão implantados, permitindo que os viajantes vivenciem as mudanças da paisagem, a cultura das cidades e até mesmo o aumento da poluição do Tietê em seu trajeto até a capital paulista.

Paisagismo e Poluição
O Várzeas do Tietê procura recuperar a vegetação original com paisagismo do arquiteto Olayr de Camillo, que procurou inspirar-se nos desenhos de Roberto Burle Marx, autor do projeto original de 1974. As diferenças, explica Ohtake, se devem às mudanças no entorno do rio ao longo de três décadas, em função da ocupação ilegal, construção de rodovias e maior urbanização. "Onde tem mata nativa não haverá paisagismo. Vamos fazer intervenções de paisasismo apenas nas áreas ocupadas, hoje mais degradadas", explica Ruy Ohtake.

O arquiteto paulista espera que o projeto do parque estimule as prefeituras, governo do estado e também os moradores da região a lutar para reduzir a poluição das águas do rio Tietê, hoje ainda sobrecarregadas com esgotos domésticos. "O projeto é uma aposta, para chamar a atenção para o rio e para a beleza que ele tem", completa Ohtake.

Para recuperar o rio

Telúrica é a relação que Ruy Ohtake mantém com a cidade de São Paulo. O adjetivo foi sugerido pelo próprio arquiteto para explicar sua forte ligação com a terra, as montanhas e os rios da cidade. Nos anos 1970, preocupado com a rápida deterioração das margens do rio Tietê, Ohtake procurou o governador Paulo Egídio Martins e propôs um projeto de parques lineares ao longo da várzea do rio.

Na época, as avenidas marginais tinham apenas duas pistas em cada margem e os clubes localizados em seu entorno ainda mantinham cais para a prática do remo. Desta proposta original, apenas duas áreas foram contempladas, uma a leste, o Parque do Tietê; e outra no extremo oeste da Região Metropolitana, na Ilha do Tamboré. E toda a orla do rio foi rapidamente ocupada por edificações e pela expansão gradativa das avenidas Marginais.

Trinta anos depois, foi a vez do governo do estado de São Paulo procurar Ruy Ohtake para pedir-lhe uma proposta de parques para a região do Tietê. Nasceu assim o projeto Parques Várzeas do Tietê.





 
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