Os funcionários dos aeroportos de São Paulo e Brasília, que na quinta-feira começaram uma greve de 48 horas para protestar contra o modelo de privatização proposto pelo governo, concordaram em voltar ao trabalho e fazer uma reunião com representantes do Executivo para retomar as negociações.
"O governo apresentou novos argumentos e isso é sinônimo de propostas", informou o Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina), que convocou a mobilização, à Agência Efe por meio de seu porta-voz.
Funcionários do aeroporto de Viracopos, em Campinas, situado a cerca de 100 quilômetros de São Paulo e que também aderiu ao protesto, fazem assembleia nesta tarde para determinar se põe fim ao protesto, informou uma fonte da Infraero à Efe.
A decisão dos trabalhadores chegou depois que representantes do Executivo ofereceram retomar as negociações sobre as reivindicações dos empregados da Infraero na próxima quarta-feira.
Apesar de terminar o protesto, o sindicato anunciou que mantém "o estado de greve" e voltará a convocar mobilizações caso os resultados da reunião, que será feita na próxima semana, não sejam satisfatórios.
Os três aeroportos iniciaram no início da quinta-feira uma greve de 48 horas para protestar contra o modelo de concessões escolhido pelo Governo brasileiro, que prevê a transferência das tarefas de operação, carga, navegação aérea, controle de tarifas, manutenção e engenharia especializada a empresas privadas.
A greve não afetou o transporte de passageiros em nenhum dos três aeroportos, mas impactou o serviço de carga do aeroporto de Viracopos, que teve que restringir as operações ao transporte de animais vivos e produtos perecíveis por causa da grande adesão de trabalhadores ao protesto.
No final de dezembro, o Governo deve leiloar as concessões para a gestão e administração dos três aeroportos, para que empresas privadas modernizem e ampliem os serviços que irão passar por um aumento significativo de passageiros na Copa do Mundo de 2014.
Este mesmo mês, as autoridades ofereceram o preço de saída das concessões. O secretário de Aviação Civil, Wagner Bittencourt, disse na quinta-feira que o processo de privatização tem por objetivo melhorar o serviço aos passageiros e rejeitou que o processo vá causar impacto nos empregos.