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Copa não garante desenvolvimento esportivo e turístico sustentável

Para especialista, grandes eventos podem não se traduzir em legados sociais significativos

Especialista cita o Pan de 2007 como exemplo a não ser seguido (crédito: Juliana Lopes/WikiCommons)
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Da Agência Brasil - Rio de Janeiro
postado em 26/09/2011 13:12 h
atualizado em 26/09/2011 14:28 h

A realização de grandes eventos esportivos não é garantia de desenvolvimento econômico e turístico sustentável. Sem planejamento adequado por parte do Poder Público e participação popular nas decisões, eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas podem se transformar em bolhas turísticas, que geram forte demanda imediata, seguida por oferta ociosa posterior e sem ganhos sociais.

A avaliação é do coordenador do Grupo de Estudos Avançados em Esportes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Paulo César Montagner. Ele citou os Jogos Pan-Americanos de 2007 como um exemplo a não ser seguido, pois as promessas de legados sociais para os bilhões de reais investidos não se confirmaram. “O desafio é como essas praças esportivas vão se transformar em centros de desenvolvimento do esporte no Brasil. No Pan-Americano, os dados atuais mostram que as praças não representam um legado positivo, porque não existem grandes projetos lá.”

Montagner destacou que, em outros países, principalmente os ricos, o investimento na estrutura dos eventos fica apoiado na iniciativa privada, o que não ocorre no Brasil, onde o encargo acaba nas mãos do Estado. “Em países como o Brasil, normalmente é o Estado que financia esses sistemas. A iniciativa privada só destina recursos para a hora do parabéns, na apresentação da festa. Mas não para a infraestrutura preparatória.”

O professor da Unicamp alertou que a realização de eventos internacionais que promovam a imagem do país no exterior, isoladamente, não é garantia de que haverá aumento sustentado do fluxo turístico futuro. O ganho, alerta Montagner, pode ser apenas imediato. Como exemplos positivos a seguir, ele citou as cidades de Barcelona, na Espanha, sede das Olimpíadas de 1992, e de Seul, na Coreia do Sul, sede das Olimpíadas de 1988, que conseguiram traduzir em ganhos urbanísticos e sociais permanentes os investimentos nos jogos.

“Barcelona se colocou na rota internacional, assim como Seul, que se utilizou disso para se configurar como uma grande cidade em crescimento. As metrópoles estão disputando espaço e um evento dessa natureza tem o poder de alavancar futuros investimentos, que perduram não só durante as Olimpíadas, mas que favorecem o desenvolvimento social e urbano.”

Montagner considerou que ainda é uma incógnita se a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 trarão ganhos reais para o Brasil. “Não é automático, o país tem que ter uma política para isso. Eventos dessa natureza não têm esse poder mágico, como querem nos fazer acreditar, de que só isso é suficiente. É possível que se gere grandes expectativas nas pessoas, mas é preciso um projeto de políticas públicas. Não me parece que isso está acontecendo no Brasil.”

Ele citou o caso da atleta Daiane dos Santos, que despertou, com seu sucesso, a vontade de milhares de crianças de praticar ginástica. Elas, no entanto, não tiveram estrutura preparada para recebê-las. “As crianças não encontraram a oferta de ginástica para se desenvolver. Não adianta fazermos uma olimpíada e falar de um legado, se não se construir estrutura nas escolas, nas praças, nos clubes para que as crianças se desenvolvam. Isso deve estar articulado a um projeto de acessibilidade ao esporte para todas as pessoas interessadas.”





 
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