Quando as sedes da Copa de 2014 foram anunciadas, poucos poderiam imaginar que os estádios privados enfrentariam grandes dificuldades para sair do papel. Agora, faltando quase mil dias para a abertura do evento, Arena da baixada, Beira-Rio e Itaquerão mostram o quanto estavam erradas as previsões.
Curitiba é um caso emblemático. Quando o Brasil deu a largada para a construção dos estádios, em 2010, a Arena da Baixada ocupava posição confortável. Inaugurada em 1999, a casa do Atlético Paranaense já tinha boa parte de sua estrutura adaptada aos padrões modernos do futebol.
No entanto, desde 2009 o Atlético Paranaense não realiza obras na estrutura. O arquiteto do estádio, Carlos Arcos, avisa que se a modernização não começar até outubro, Curitiba ficará fora da Copa das Confederações (saiba mais). A diretoria discorda. Após vários adiamentos, o presidente Marcos Malucelli pensa em interditar o estádio somente depois do Campeonato Brasileiro, em dezembro.
O cartola acredita que exista uma folga pelo fato de a arena estar 75% pronta. Número contestado por Arcos, para quem apenas 45% do estádio se adéqua às novas normas da Fifa.
O Beira-Rio é outro caso preocupante. O Internacional começou a modernização com recursos próprios e um orçamento de R$ 150 milhões, modesto para os padrões do Mundial. Após pressões da Fifa, o clube decidiu abrir mão de receitas futuras e entregar as obras para a Andrade Gutierrez.
Resultado: o custo saltou para R$ 290 milhões, as obras estão paradas há três meses e as negociações do contrato emperraram. O mais grave é que conselheiros podem vetar o acordo por acreditarem que o clube perderá receita com o negócio. Com isso, volta-se à estaca zero.
Itaquerão
Um dos estádios mais controversos da Copa é o de Itaquera. Até então um mero desejo do Corinthians, a arena começou a virar realidade em setembro de 2010 depois que o Morumbi foi vetado pela Fifa.
Só que a novela para o início das obras quase transformou em pesadelo o sonho de consumo do torcedor corintiano. Marcada para janeiro deste ano, a terraplanagem foi seguidamente adiada, começando apenas no último dia de maio. De lá para cá, a construtora Odebrecht afirma que 10,65% das obras avançaram.
Mesmo com 430 operários trabalhando no Itaquerão, uma série de problemas ameaça paralisar a construção do estádio. O principal deles é uma ação do Ministério Público paulista, que exige detalhes sobre o financiamento do projeto.
Orçado em R$ 820 milhões pela construtora, o estádio não sairá por menos de R$ 900 milhões. Parte do custo será pago à Petrobras pela retirada de oleodutos que atravessam o terreno. Outra fatia será bancada pelo governo paulista, que vai alugar 20 mil assentos temporários caso o estádio seja escolhido para a abertura da Copa.
Ao menos R$ 420 milhões serão dados pela prefeitura paulistana por meio de um programa de incentivos para a zona leste, onde ficará o futuro estádio. O vereador Aurélio Miguel considera o esquema irregular, e tem ação correndo na Justiça para suspender as obras.
Fonte de inúmeros problemas, o Itaquerão depende ainda da assinatura de contratos. A criação da Sociedade de Propósitos Específicos (SPE) foi assinada em setembro, com a presença do ex-presidente Lula no canteiro de obras.
Mas ainda resta a constituição de um fundo imobiliário para arrecadar o dinheiro para as obras, incluindo o empréstimo de R$ 400 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O banco ainda não foi consultado.
Confira o andamento das obras nos 12 estádios da Copa
Belo Horizonte – Mineirão (cartão verde)
Trabalhadores fizeram breve paralisação nesta quinta-feira (15). Após término das demolições, vigas das arquibancadas começaram a ser instaladas.
Brasília – Mané Garrincha (cartão verde)
Terminou terraplanagem, fundações e toca construção da arquibancada inferior.
Cuiabá – Arena Pantanal (cartão verde)
Terraplenagem, drenagem e fundações estão quase prontas. Neste momento, anel inferior está em construção.
Curitiba – Arena da Baixada (cartão amarelo)
Início das obras continua indefinido, ameaçando participação da cidade na Copa das Confederações.
Fortaleza – Castelão (cartão verde)
Levando em conta dados do governo, é o estádio mais avançado, com 39% de execução. No entanto, obras internas ainda estão na fase de fundação para erguer novas arquibancadas.
Recife – Arena Pernambuco (cartão verde)
Obra ainda está na fase de fundações. Terraplanagem terminou em junho.
Manaus – Arena Amazônia (cartão verde)
Terraplanagem e fundações estão em fase final. Construção de arquibancadas começou em agosto.
Natal – Arena das Dunas (cartão amarelo)
Obra pública mais atrasada, terraplanagem só começou em meados agosto. Estádio Machadão ainda não foi demolido.
Porto Alegre – Beira-Rio (cartão verde)
Obras estão paradas há três meses a espera de assinatura do contrato.
Rio de Janeiro – Maracanã (cartão amarelo)
Estádio enfrenta sua segunda greve em menos de um mês. Segundo o governo, um quarto das obras estão prontas.
Salvador – Arena Fonte Nova (cartão verde)
Com fim das obras de fundação, obra segue para fase estrutural.
São Paulo – Itaquerão (cartão verde)
Obra começou há três meses e meio e, segundo consórcio, avançou quase 11%. Ainda restam problemas.
COLABORARAM: Alexandre de Santi, Caroline Aguiar, Felipe Castro, Gabriela Ribeiro, George Fernandes, Jackeline Farah, Júlio César Lima, Leandro Cabido, Lúcio Pontes Filho, Marcos de Sousa, Regina Rocha e Vanessa Cristani