Está marcado para outubro o fim da novela que envolve o início da reforma da Arena da Baixada para a Copa de 2014. As obras deveriam ter começado em 2010, mas uma série de indefinições sobre o modelo de financiamento fez com que o Atlético-PR adiasse por diversas vezes o pontapé inicial da modernização.
Mesmo com 75% das instalações adaptadas às exigências da Fifa, o estádio atleticano é o único a não ter iniciado sua preparação para o Mundial. Esta história começou a mudar há menos de um mês.
Em julho, o Conselho Deliberativo descartou a participação de empreiteiras e definiu que o ex-presidente do clube, Mario Celso Petraglia, ficará encarregado por coordenador a ampliação da arena, que tem custo total orçado em R$ 180 milhões.
O discurso do cartola é otimista. Ele promete que em menos de um mês comece a primeira fase dos trabalhos, com obras de fundação, rebaixamento de gramado e retirada de terras. Tudo isso para recuperar o tempo perdido.
“Vamos correr contra o tempo, perdemos dois anos e meio em que não fizemos nada, mas agora queremos deixar o estádio pronto para receber a Copa das Confederações [em junho de 2013]”, disse Petraglia.
Para acompanhar e gerir as obras, incluindo a execução financeira, será criada uma Sociedade Para Propósitos Específicos (SPE), a ser presidida por Petraglia juntamente com oito conselheiros do Atlético, que cuidarão cada um de áreas específicas do projeto.
“A SPE é 99,9% do Atlético. Agora, será contratada uma gerenciadora para dar esse andamento nas obras”, afirmou. A gerenciadora será responsável por contratar os fornecedores, a mão de obra e tudo o que envolve as obras de conclusão.
Antes disso, porém, a SPE deverá ser formalizada em uma reunião do clube prevista para o dia 23. Em seguida, ela poderá receber os empréstimos bancários e fazer outras transações financeiras.
Além das obras de conclusão, Petraglia cita outros investimentos que o Atlético pretende fazer, como a adaptação do Centro de Treinamento do clube para poder receber seleções que estarão na Copa.
A comissão que cuidará das obras é formada por conselheiros integrantes do grupo político do ex-presidente Mário Celso Petraglia. São eles: Lauri Antonio Pick, Aguinaldo Coelho de Farias, José Cid Campêlo Filho, Antonio Augusto Biazetto, Marcio Lara, Nelson Fanaya Filho, Antonio Carlos Bettega e Bruno Miraglia.
Histórico
Segundo o Atlético, praticamente três quartos da Arena da Baixada atendem às exigências da Fifa para a Copa de 2014. Mas mesmo restando apenas 25% da obra, a reforma do estádio foi alvo de inúmeras polêmicas desde que Curitiba foi anunciada como sede do Mundial.
No ano passado, a Câmara de Vereadores de Curitiba aprovou uma lei que amplia o potencial construtivo do terreno atleticano. Com isso, o clube poderá captar até R$ 90 milhões no mercado para a conclusão das obras. Apesar das acusações de que a reforma estaria sendo tocada com dinheiro público, o projeto foi aprovado com ampla maioria.
Neste ano, o clube cogitou a contratação de uma empreiteira para comandar as obras. As construtoras OAS e a Triunfo apresentaram propostas que elevariam o orçamento para até R$ 220 milhões.
A OAS queria explorar o nome da Arena pelos próximos 25 anos, e a Triunfo não aceitava o potencial construtivo como investimento. No fim, venceu a proposta de Petraglia, que propôs que os atleticanos tocassem o projeto com recursos próprios.