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Arena das Dunas começa a sair do papel

Após dois anos e meio, começa construção do estádio de Natal, o mais atrasado da Copa

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George Fernandes - Natal
postado em 06/09/2011 16:24 h
atualizado em 06/09/2011 16:34 h

Dois anos e cinco meses após Natal ter sido anunciada como sede da Copa, a Arena das Dunas finalmente começa a sair do papel. O estádio mais atrasado do Mundial deve ficar pronto em dezembro de 2013, segundo estimativa do governo do Rio Grande do Norte e da OAS, empreiteira que levou o contrato de Parceria Público-Privada (PPP).


Sonho abandonado: do projeto inicial, restou apenas o estádio (crédito: Populous/Divulgação)

Apesar de as demolições do estádio Machadão e do ginásio Machadinho não terem começado, o secretário estadual da Copa, Demétrio Torres, afirma que a obra da Arena das Dunas já avançou 15%. Isso porque o secretário leva em conta a fase preliminar, que envolve o isolamento da área, a obtenção de licenças, a terraplanagem e obras nas redes de esgoto e elétrica.

“Esperamos que até o dia 15 [de setembro] comece a demolição do Machadão e do Machadinho”, estima Torres. “Optamos pela derrubada mecânica e gradual à medida que a obra avançar. A implosão demandaria tempo e uma mobilização muito grande.”

Diretor-presidente da empresa criada para gerir a nova praça de esportes de Natal, a Arena das Dunas Concessões e Evento, o engenheiro Charles Maia afirma que após a terraplanagem as fundações começarão pela área sul do estádio.

No momento, 160 operários trabalham na área. De acordo com Maia, esse número pode chegar a 700 com a evolução da obra.

“Em dia”
Mesmo com o atraso, Torres insiste em afirmar que o cronograma de obras da Arena das Dunas está em dia. “Ganhamos 45 dias em relação ao cronograma previsto em dezembro passado. Estamos rigorosamente no prazo e vamos entregar o estádio pronto em 30 de dezembro de 2013.”

O que faz o secretário afirmar com convicção que o estádio será entregue na data prevista é o fato de a Arena das Dunas Concessões e Evento não estar devendo à Justiça ou aos órgãos fiscalizadores.

“Natal é a única cidade que tem um documento dizendo que todo o processo licitatório está legal. Aproveitamos, na verdade, os erros dos outros para corrigir os nossos. Fizemos várias reuniões com o COL, TCU, TCE e Ministério Público. A obra só foi iniciada depois que tudo estava legal, diferente do que ocorre em outras cidades, onde as obras iniciaram antes ou em paralelo às vistorias e tramitações jurídicas”, disse.

“Esta obra não admite aditivos, que geralmente atrasam obras públicas. Por isso, o estádio será entregue em dezembro de 2013, sem atrasos”.

Financiamento
O custo estimado para a obra é de R$ 400 milhões, sendo que R$ 300 milhões (75%) virão de empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O contrato do financiamento está em fase de elaboração.

“Esse dinheiro será liberado em parcelas equivalentes a 10% do valor total, sendo a primeira parcela um pouco maior, de 20%, e liberado trinta dias depois da assinatura do contrato”, disse Torres, que prevê a liberação da primeira parcela ainda em setembro.

De Estrelão à Arena das Dunas
O projeto da Arena das Dunas nasceu com o nome de “Estrelão”. E o local indicado pelo governo potiguar para que Natal concorresse à sede da Copa foi uma área localizada no município de Parnamirim, na Grande Natal, próxima ao Aeroporto Augusto Severo.

No entanto, a distância de 15 quilômetros entre a área indicada e os principais hotéis da cidade, todos localizados na orla, enterrou o projeto Estrelão. Com a reprovação da primeira vistoria da Fifa, surgiu à ideia de construir um novo estádio no centro da capital potiguar, onde está situado o Complexo Esportivo Machadão/Machadinho e prédios administrativos do governo estadual.

Para preservar o patrimônio público, chegou-se a cogitar a possibilidade de reformar o velho estádio Machadão, construído em 1972, a um custo de R$ 150 milhões. Ganhou, no entanto, o projeto da Arena das Dunas, que tinha a intenção de mudar por completo a região que engloba o complexo.

Além do estádio, seriam construídos hotéis, museu, novos prédios da administração estadual e municipal, rede bancária, área verde e até um lago artificial. Segundo o governo, a crise europeia de 2008 varreu a idéia inicial, que havia encantado a Fifa. Do projeto que credenciou Natal a ser uma das 12 sedes da Copa, só restou o estádio.





 
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