Arquitetura é definida pela forma e função, resume o engenheiro Flávio D'Alambert, especialista em estruturas e autor da concepção estrutural do estádio Castelão, sede da Copa de 2014 em Fortaleza, e também do Engenhão, no Rio de Janeiro, e das novas arenas de Cuiabá, Boa Vista e Aracaju. No final de julho, o engenheiro recebeu a reportagem do Portal 2014 em sua empresa, a Projeto Alpha, no bairro de Alphaville, a alguns quilômetros de São Paulo. Na conversa, D'Alambert explicou em detalhes como funciona a cobertura da futura arena de Fortaleza.
Como foi concebida a estrutura do Castelão?
Criamos, junto com a equipe do Vigliecca Arquitetos, uma cobertura e fachada para "vestir" a antiga estrutura de concreto. São 60 pórticos de aço distribuídos em torno do círculo original, que sustentam a cobertura e também servem para travar a estrutura de concreto para reduzir as vibrações.
A cobertura é independente da estrutura de concreto?
Sim, mas conectada a ela, para apoio e redução das vibrações, como expliquei. As cargas da cobertura são distribuídas entre o apoio do solo e a estrutura de concreto. No solo, as cargas são recebidas por sistemas de fixação de rótulas, para compensar as movimentações da estrutura.
O novo projeto não alterou a antiga estrutura?
A estrutura de concreto estava em condições muito boas. A única dificuldade foi ajustar as tolerâncias do aço - que são milimétricas - às irregularidades do concreto. Para isso, serão usadas peças metálicas de ajuste.
Qual o maior desafio do projeto?
A maior dificuldade foi conseguir um equilíbrio entre os esforços nos vários pórticos. Como Fortaleza é constantemente varrida por ventos, algumas partes da cobertura serão pressionadas, enquanto outras sofrerão forças de arrancamento. A cobertura foi dimensionada para suportar ventos de até 110 km por hora, que, pela norma brasileira, pode ocorrer uma vez a cada 50 anos.