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"Investir em BRT é rasgar dinheiro público", diz presidente da Agecopa

Em entrevista, Eder Moraes explica porque Cuiabá prefere o transporte sobre trilhos

Eder Moraes, o coordenador da Copa de 2014 em Mato Grosso (crédito: Agecopa/MT)
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Marcos de Sousa - São Paulo
postado em 08/08/2011 17:42 h
atualizado em 09/08/2011 12:45 h

Comerciantes de Cuiabá-MT prometem uma ampla mobilização nesta terça-feira (9) contra a proposta de implantação de um sistema de Corredores Rápidos de Ônibus (BRT) na cidade. Eles argumentam que a obra, orçada em cerca de R$ 450 milhões, produzirá desapropriações e desemprego na capital do Mato Grosso.
E pedem que o governo do estado insista na proposta do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que terá um custo superior a R$ 1 bilhão, mas traria vantagens ambientais e urbanas para o sofrido centro da cidade. 
Entrevistamos o presidente da Agência Estadual Executora dos Projetos da Copa 2014 (Agecopa), Eder Moraes, defensor do VLT e entusiasta dessa versão contemporânea do velho bonde.
Na conversa por telefone, Moraes expõe seus argumentos e afirma que o estado deverá investir na obra caso o governo federal não a inclua na Matriz de Responsabilidades para a Copa de 2014.

Por que Cuiabá decidiu mudar seu sistema de transporte urbano?
Antes de eu assumir o cargo, a Agecopa já havia definido sua opção pelo BRT, contando com o financiamento da Caixa Econômica Federal. Não conheço as justificativas para essa opção, mas assim que assumi a agência passei a estudar alternativas, em sintonia com o governador Silval Barbosa e com a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Vimos que os planos para o BRT praticamente rasgavam o centro da cidade e cortavam edifícios ao meio, inclusive alguns prédios históricos do centro. A proposta e o orçamento de R$ 450 milhões do BRT não consideraram as desapropriações. Se Mato Grosso optar pelo BRT, estaremos jogando dinheiro fora, investindo em um sistema obsoleto e que irá destruir a caixa da cidade.

A opção do governo é pelo VLT...?
Sim. Fomos buscar um modelo mais "verde", com maior capacidade de passageiros, menos tempo de paradas, e que tivesse um tempo e horário de saída e chegada previsíveis. Queríamos um sistema de transporte que tivesse atratividade para os usuários de automóveis particulares, de forma a estimular o transporte coletivo e melhorar as condições de tráfego da cidade. Preparamos um estudo com cerca de 300 páginas, que nos mostrou o VLT como o melhor modelo para a cidade. A população terá um transporte melhor, com visual mais contemporâneo, menor impacto ambiental, e movido por energia elétrica, com redução da poluição ambiental, além de estimular uma convivência mais pacífica entre veículos e pedestres. Fizemos uma pesquisa na cidade e constatamos que 85% dos cidadãos que hoje enfrentam o trânsito com seus próprios veículos aprovam o VLT, e cerca de 25% deles optariam pelo VLT como sistema de transporte. Queremos desenvolver um projeto para 100 anos, uma obra que terá menor custo de manutenção e que será útil mesmo que a cidade cresça.

Quais são as dificuldades para implantar o VLT em Cuiabá?
Os técnicos da área de transportes tendem a optar pelo BRT, porque conhecem melhor os sistemas baseados em ônibus. Os críticos à proposta do VLT argumentam que ainda não temos um projeto. É preciso esclarecer que os estudos para implantação do BRT foram doados ao governo do estado, enquanto o projeto do VLT será pago e terá um custo de R$ 22 a 25 milhões. Não vamos investir no projeto enquanto não houver uma definição positiva, para não perdermos esse investimento. Esperamos que o Ministério das Cidades tome essa decisão até o dia 15 de agosto, mas mesmo que o governo federal não aceite incluir o projeto na Matriz de Responsabilidade, o estado de Mato Grosso assumirá o projeto, porque tem capacidade de financiamento e de investimento.

Mas e o prazo? Vai ser possível concluir a obra até 2014?
Os projetos de mobilidade urbana estão sendo desenvolvidos para a cidade de Cuiabá, não apenas para a Copa. Nós já protocolamos um documento que mostra que cumpriremos os prazos exigidos pelo Ministério do Esporte e pela Fifa.

E em relação ao custo para o passageiro?
Essa questão depende da forma de viabilizar o projeto. Se tivermos que optar por uma PPP, o investidor privado precisará de um retorno financeiro e isso vai puxar a tarifa. Com o financiamento de R$ 1,1 bilhão ou menos poderemos criar uma companhia estatal ou de economia mista e praticar uma tarifa bem próxima à do valor atual do ônibus.

Alguns especialistas argumentam que a capacidade do VLT está muito acima da demanda real de transportes de Cuiabá...
Temos picos de sete a oito mil passageiros por hora no transporte entre Cuiabá e Várzea Grande. Vamos ajustar a quantidade de vagões para a demanda, garantida a qualidade do serviço e o conforto aos passageiros.





 
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