bullet Notícias

Entrevista: Artur Melo, o engenheiro do gramado

Especialista aposta em administrações eficientes para garantir sustentabilidade financeira a arenas

Artur Melo, consultor de gramados esportivos e irrigação automatizada
Tamanho da letra
Rafael Massimino - São Paulo
postado em 17/07/2009 11:59 h
atualizado em 01/09/2009 17:51 h

Para cobrir os custos milionários de construção, reforma e manutenção, os futuros estádios da Copa 2014 apostam no múltiplo uso para pagar as despesas. Shows como o de Roberto Carlos, sábado passado (10/7), no Maracanã, são encarados como a fórmula mágica pelos administradores. Se por um lado atividades não relacionadas ao futebol podem evitar que as arenas se tornem elefantes brancos, por outro contribuem para a deterioração do gramado, um dos itens mais caros das arenas e que exige manutenção constante.

Nesta entrevista, o consultor de gramados esportivos, Artur Jorge de Melo, fala sobre a composição de gramados de alto desempenho e sobre os efeitos das atividades extra-futebol no palco dos jogos. Para Melo, “o futebol é um grande negócio e rende lucros consistentes e crescentes”, e aposta em administrações mais eficientes para evitar que os estádios sejam sobrecarregados com eventos para garantir sua sustentabilidade financeira.

O que define um gramado de qualidade?
São vários fatores. Ele deve ter excelente nivelamento, boa drenagem, capacidade de suportar uma alta carga de jogos ou treinos e uma textura macia para não prejudicar os atletas. A drenagem é essencial para um gramado de alto desempenho. Para isso, esse sistema deve ser dimensionado de acordo com a finalidade do campo, se para treino ou para jogos, e do clima da região, principalmente do regime de chuvas. É muito importante um bom projeto e uma boa execução da drenagem, porque depois de executado é muito difícil fazer correções no sistema.

Qual é a equação para garantir uma drenagem eficiente que não interfira no desempenho gramado?
Bem, acima dos drenos do gramado aplicamos uma camada de “TopSoil”, um substrato arenoso que garante, a um só tempo, a permeabilidade necessária para a água chegar aos drenos e dá suporte ao desenvolvimento das raízes, que são o arcabouço do gramado. Esta camada é uma mistura de areia e de 10% a 20% de condicionador de solo. Com isso, evitamos que o gramado se desprenda facilmente durante o jogo.

Como deve ser feita a irrigação e a escolha da grama?
Num campo de boa qualidade, a irrigação é automatizada e escamoteável, ou seja, é instalada abaixo do gramado e só emerge durante a operação de rega. Isto permite uma uniformidade de rega e o controle total da quantidade de água aplicada. Já a variedade de grama a se plantar e como a forma de plantio (placas, rolos, sprigs ou plugs) dependem basicamente da região do país, da finalidade do campo, do prazo da obra e de um estudo de custos.

Sistema de drenagem, essencial para gramados de alto desempenho

Administrações mais profissionais dos estádios e clubes dispensariam a necessidade de eventos para garantir a sustentabilidade financeira dos estádios

Existem gramados desenvolvidos especialmente para suportar o impacto de grandes eventos e que, ao mesmo tempo, sejam adequados à prática do futebol?
Pessoalmente, não comungo da idéia de gramados multiuso. Mas pode-se, com relativa segurança, fazer grandes eventos num gramado que foi bem construído e é bem mantido. Para isso, é preciso um trabalho forte de adubações e preventivo de fungos antes do evento, além de um acompanhamento severo e criterioso durante a montagem do palco e cobertura do gramado. Logo após o evento, o palco e a cobertura devem ser retirados imediatamente para dar início aos trabalhos de limpeza e recuperação do gramado. Já atuei em eventos desse tipo, inclusive com o show terminando às três da manhã e um Fla-Flu programado para o mesmo dia às 16h.

Com os danos que atividades desse porte provocam nos gramados, não cai por terra a expectativa dos administradores de garantir a sustentabilidade financeira dos estádios com a promoção de grandes eventos?
Na verdade não. Como expliquei anteriormente, é plenamente possível usar o gramado para outros eventos. Agora, a discussão pode passar pela real necessidade de haver esse tipo de eventos em estádios. O futebol é um grande negócio e rende lucros consistentes e crescentes, principalmente nos últimos 25 anos, quando se tornou um negócio bilionário. Acredito que a discussão deveria passar por administrações mais profissionais dos estádios e clubes para que não haja necessidade de eventos para garantir a sustentabilidade financeira dos estádios. A renda pode ser complementada com lojas, museu, restaurantes etc.

Segundo especialistas, o campo que mistura grama artificial e natural é mais resistente a atividades extra-futebol. Essa é uma solução viável?
Os campos de grama natural são preferidos por todos os profissionais que atuam no futebol. Mesmo na Europa e na Ásia, onde há severas limitações climáticas, os gramados naturais são a imensa maioria. Quanto aos gramados híbridos, não conheço nenhum grande caso de sucesso desse tipo. Também não consigo visualizar grandes vantagens do seu uso principalmente porque já temos todo um suporte de informações e técnicas para enfrentar os eventos sem o custo de agregar a fibra sintética ao gramado natural. Acredito que a longo prazo, com a queda do custo do gramado sintético e com tecnologias que proporcionem maior maciez, os centros de treinamento tenderão a utilizá-lo pela maior capacidade de suporte de pisoteio.






 
nosso time
realização
Mandarim Comunicação
realização
Sinaenco - Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva
tecnologia e criação
XY2 - Agência Digital
hosting
Telium Networks
segurança da informação
LSI TEC - Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico
 
patrocínio
Lanxess
ArcelorMittal
Gerdau
Resolução Mínima de 1024x768 - © Copyright 2009 copa2014.org.br Todos os direitos reservados.