bullet Notícias

"Brasil está patinando em relação à Copa", diz Walter Feldman

Ao contrário de Londres, Brasil tem poucas chances de colher legado, diz secretário paulistano

Segundo Feldman, Fifa "enrolou" São Paulo na questão do Morumbi (crédito: Arquivo)
Tamanho da letra
Rafael Massimino - São Paulo
postado em 11/07/2011 16:52 h
atualizado em 12/07/2011 11:09 h

Depois de observar por dois meses e meio os preparativos de Londres para a Olimpíada de 2012, o secretário Especial de Articulação de Grandes Eventos da prefeitura de São Paulo, Walter Feldman, transformou-se em crítico do modo como o Brasil organiza a Copa de 2014. “O Brasil não fez um planejamento intenso, não fez obras de acordo com projetos executivos, não preparou a ideia da sustentabilidade e do legado. A avaliação, hoje, do mundo, é que o país está patinando na questão da Copa”, afirma o secretário.

Além da falta de planejamento, que coloca os ingleses em patamar diferente ao dos brasileiros, Feldman credita à Fifa, organizadora da Copa de 2014, parte da responsabilidade pelos atrasos.
“A Fifa nunca aceitou o Morumbi, mas não deixou isso claro”, diz Feldman. “Agora estamos correndo atrás do prejuízo.” Confira trechos da entrevista.

Como Londres se preparou para 2012?
Quando a candidatura venceu, em 2005, começou um longo processo de planejamento e escolha do local. Identificaram que a região mais deteriorada é a leste, que piorou muito desde a Revolução Industrial do século 19. Agora, esse distrito de Stratford sofreu uma alteração urbana de tal magnitude que, depois dos Jogos, seu parque olímpico vai ser o maior e mais moderno de toda Europa. Além disso, incorporaram o conceito da sustentabilidade, criando uma regra que proíbe a construção de elefantes brancos.

Quais as principais mudanças que ocorreram na região?
A linha do metrô mais moderna da Europa é a da região leste de Londres. Para melhorar a mobilidade, estão sendo feitas novas avenidas para dar acesso à vila olímpica. Além disso, uma quantidade gigantesca de prédios vem sendo alugados, construídos e vendidos na região. A vila olímpica vai adicionar 2,3 mil apartamentos que serão vendidos para a população removida, que terá facilidade de crédito. Outro aspecto importante é que todos os rios eram contaminados e hoje estão despoluídos.

Considerando os atrasos nas obras da Copa, há tempo para termos um legado semelhante?
Em relação à Copa, diria que já perdemos grande parte do resultado que era possível. Veja bem: a Inglaterra começa a se preparar em 2005, faz dois anos de obras e agora tem um ano de testes. O Brasil não fez um planejamento intenso, não fez obras de acordo com projetos executivos, não preparou a ideia da sustentabilidade e do legado. A avaliação, hoje, do mundo, é que o Brasil está patinando na questão da Copa: “vai sair, porque tudo sai”. A Copa do Mundo está muito prejudicada em relação aos aeroportos e à característica da construção dos estádios.

São Paulo é uma das sedes mais atrasadas da Copa, principalmente por conta do estádio. Por que a cidade está nesta situação?
A Fifa nunca aceitou o Morumbi, mas não deixou isso claro. A entidade abriu a possibilidade de reformas atrás de reformas, mas nunca o aceitou. Ela poderia desde o início ter dito “O Morumbi não e ponto final”, e teríamos tido mais dois anos. Quando viram que não dava mais, estávamos em período eleitoral, o que permitiu que o Lula lançasse a ideia de Itaquera sem ter as soluções, avaliar se havia local adequado ou se o dinheiro era possível. Agora estamos correndo atrás do prejuízo.

E a Olimpíada?
A avaliação aqui é que estamos no “dead line” da decisão. Se tomarmos todas as decisões corretas agora ainda é possível construir um modelo semelhante ao de Londres.

São Paulo recebe futebol e oferece CTs

Qual o papel na nova secretaria?
São Paulo sempre foi um parceiro dos grandes eventos, como a Fórmula 1 e a Fórmula Indy. Mas com a Olimpíada e a Copa do Mundo, essa questão passa a um novo patamar, pois demanda uma alteração gigantesca nas cidades. Do lado negativo, é como um tsunami, deixando uma destruição. Do lado positivo, podem produzir mudanças importantes como em Londres, que está fazendo uma grande reforma urbana.


Como São Paulo pode aproveitar a Olimpíada carioca?
Pela proximidade com o Rio e por ser uma área de interesse para os negócios, boa parte dos turistas passará pelo Aeroporto de Cumbica e ficará em São Paulo. Minha ideia é mandar correspondência para todas as delegações do mundo para que o período de aclimatização para os Jogos seja feito em São Paulo. Temos pelo menos 20 locais de treinamento esportivo, seja na capital, seja no interior, que podem receber os atletas. Outra coisa é desenvolver novos negócios, como a Inglaterra vem fazendo. Temos produtos, serviços e capacidade para recepção que precisamos aperfeiçoar. A Copa e a Olimpíada são uma grande vitrine para isso.


Como atingir esse objetivo?
Precisamos melhorar muito a questão do trânsito, da sinalização e da segurança. Precisamos passar uma imagem de que nossa segurança é cada vez melhor. Há também a questão das calçadas. Estamos atrasados em relação a Londres, Paris e Nova York. Também precisamos melhorar a questão da língua. Todos que trabalham nos sistemas de transporte, hotelaria e gastronomia deveriam falar o inglês básico.


Quais eventos São Paulo vai receber em 2016?
Oficialmente, jogos do campeonato de futebol masculino e feminino. Esta é a única exceção que o Comitê Olímpico Internacional (COI) faz fora da cidade-sede.


O estádio está definido?
Ainda não, mas possivelmente Itaquera [onde será construído estádio para a Copa] terá também essa função.





 
nosso time
realização
Mandarim Comunicação
realização
Sinaenco - Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva
tecnologia e criação
XY2 - Agência Digital
hosting
Telium Networks
segurança da informação
LSI TEC - Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico
 
patrocínio
Gerdau
 
apoio
ArcelorMittal
 
Resolução Mínima de 1024x768 - © Copyright 2009 copa2014.org.br Todos os direitos reservados.