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Manutenção de estádios da Copa custa R$ 17 milhões por ano à África

Um ano após o Mundial sul-africano, somente o Soccer City é rentável; Green Point tem o mair déficit

Green Point, em janeiro de 2010, antes da Copa: arquibancadas vazias (crédito: Warren Rohner/WikimediaCommons)
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postado em 13/06/2011 10:29 h
atualizado em 30/06/2011 09:46 h

Quase 12 meses depois da disputa da Copa do Mundo de 2010, a Administração continua pagando uma fatura anual de pelo menos R$ 17,1 milhões (7,5 milhões de euros) para manter apenas três dos dez estádios.

Em 11 de junho de 2010, o estádio Soccer City, em Johanesburgo, foi iluminado pela primeira vez e teve seus 95 mil lugares preenchidos para a cerimônia de abertura e o primeiro jogo do torneio, entre África do Sul e México.

O país investiu mais de R$ 9,2 bilhões (4 bilhões de euros) em novos aeroportos, transportes e infraestruturas, dos quais quase a metade foi utilizado na construção e adequação de dez estádios. Agora, continua fazendo contas sobre os benefícios de ter organizado o campeonato, em uma nação onde o rúgbi e o críquete continuam sendo os esportes majoritários.

Só o Soccer City, que recebeu também a final entre Espanha e Holanda, é rentável economicamente, enquanto o restante das instalações continua passando todo mês a fatura à Administração sul-africana.

As despesas de manutenção das infraestruturas pesam especialmente para os governos de cidades pequenas, como Port Elizabeth, no sudeste do país, e Polokwane e Mpumalanga, ao norte, com estádios à altura das capitais europeias.

Segundo o jornal sul-africano Mail and Guardian, apenas três dos dez estádios do Mundial levam pelo menos R$ 17,1 milhões por ano dos contribuintes.

O mais custoso, o da Cidade do Cabo, conta com um orçamento de uns R$ 10,5 milhões (4,6 milhões de euros), enquanto os cofres municipais de Mpumalanga têm uma despesa de R$ 3,9 milhôes (1,7 milhão de euros), e Polokwane destina R$ 2,65 milhões (1,16 milhão) para compensar o déficit de exploração.

"É preciso ver as despesas com os estádios em seu contexto, porque eram imprescindíveis para recebermos a Copa", explicou à Efe a diretora da empresa de consultoria Grant Thornton, Gillian Saunders, que assessorou o Governo sul-africano no planejamento do evento.

"A projeção internacional da África do Sul, os benefícios em coesão e o orgulho nacional de serem capazes de organizar algo como a Copa do Mundo, e o impacto econômico de 350 mil turistas compensam o investimento destas instalações", completou.

A Stadium Management South África (SMSA), que faz a gestão de boa parte dos estádios, conseguiu encontrar uma via de negócio para o Soccer City, com a organização de shows, competições esportivas, eventos religiosos e visitas turísticas.

Durante o ano passado, 40 mil visitantes percorreram as arquibancadas e o gramado do estádio que viu a Espanha conquistar seu primeiro Mundial, na final de 11 de julho.

O Green Point, da Cidade do Cabo, no entanto, continua buscando uma empresa privada que administre as instalações, depois que a concessionária anterior renunciou ao contrato por "erros de cálculo de custos e receitas", segundo um de seus diretores manifestou à imprensa.

"Os estádios de cidades pequenas certamente nunca chegarão a ser rentáveis e serão uma despesa para as Prefeituras. Mas isso é o que fazem os Governos; há muitas infraestruturas que não dão lucro e, no entanto, se mantêm porque reportam outro tipo de benefícios aos cidadãos", comentou Gillian.

O Ministério do Turismo da África do Sul informou que em 2010 houve no país um aumento de 1 milhão de visitantes, dos quais apenas 350 mil foram para assistir ao Mundial, o que representa que 650 mil turistas conheceram o país graças à realização do evento.

"Não podemos saber quais foram os benefícios reais para a economia, mas talvez essa seja a razão para que a Wal-Mart (maior rede de vendas no varejo do mundo) e o banco HSBC tenham anunciado intenção de se instalar aqui", finalizou a diretora da Grant Thornton.





 
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