Para atender às exigências da Fifa e dar conta das renovações necessárias para receber a Copa de 2014, o Atlético Paranaense terá que arcar com prejuízo considerável ao manter os portões da Arena da Baixada fechados por ao menos 18 meses. É este o prazo mínimo para que o palco rubro-negro fique em ordem para o Mundial de futebol.
Durante as obras, que devem começar em agosto, o clube não receberá suporte financeiro da Fifa nem do governo estadual ou prefeitura. Em 2014, o prejuízo atleticano continuará, já que o clube terá que abrir mão da arena por três meses e meio.
"As chaves do estádio serão entregues à Fifa em abril e só voltam às mãos do Atlético em agosto", afirmou nesta segunda-feira Flávio Teixeira, engenheiro responsável pela reforma do estádio, durante visita técnica às obras da Arena da Baixada organizada pelo Portal 2014 e o Sinaenco (Sindicato da Arquitetura e da Engenharia).
Ao longo do período em que o estádio fica sob a guarda da Fifa o clube também terá que abrir mão das receitas de publicidade. A Fifa proíbe a exibição de marcas que não sejam as dos seus patrocinadores.
A restrição inclui até mesmo o escudo do Atlético na fachada da arena, que deverá ser retirado ou coberto.
Além da interdição prolongada e da redução de receitas, as contas da reforma da Arena não param de crescer. Após a conclusão do projeto executivo da obra, o clube descobriu que o custo das operações saltou de R$ 135 milhões para R$ 220 milhões. Até o momento, não está definido quem bancará a diferença de R$ 85 milhões. O clube já recebeu orçamento de cinco construtoras: OAS, Andrade Gutierrez, Triunfo, Carteloni e Matec.
Segundo o engenheiro, a maior parte do valor se refere a obras que servirão unicamente ao Mundial. Com R$ 40 milhões o Atlético finalizaria a construção do estádio, principalmente com o fechamento do anel superior de arquibancadas do setor oeste -o anel inferior foi inaugurado em 2008.
A Fifa, por exemplo, quer a substituição de 27 mil cadeiras por assentos reclináveis, o que provocaria um gasto extra de R$ 13 milhões. Outra demanda é a instalação de um sistema de ar-condicionado que abranja a totalidade das instalações internas.
No campo, os refletores de 800 lux darão lugar a refletores de 3.000 lux para garantir qualidade na transmissão de imagens. A construção de uma cobertura metálica, outro item caro da reforma, também seria evitada se o estádio estivesse fora da Copa de 2014.
Pontos cegos e gramado
Para reduzir o número de pontos-cegos do estádio (atualmente em 1.500, segundo Teixeira), o Atlético terá que rebaixar o gramado em 10 cm e desativar duas torres de elevador. Após a reforma, os gastos com manutenção deverão se multiplicar. Pelos cálculos do engenheiro, a conta de água deve subir de R$ 40 mil para R$ 230 mil mensais.
Além disso, os gastos do clube com o Mundial não se restringem às obras do estádio. É o Atlético que terá de fornecer água e eletricidade para as tendas de hospitalidade da Fifa. Estas instalações serão montadas no entorno da Arena da Baixada para que os patrocinadores da entidade exibam suas marcas e produtos.