Assim como os preços de muitos produtos no primeiro semestre de 2010, os custos dos estádios para a Copa de 2014 também aproveitam para subir. O curioso é que, em apenas um ano, o salto no valor das obras foi de R$ 1,7 bilhão. Neste momento, os estádios que estavam orçados em R$ 3,7 bilhões em 2009, passaram os R$ 5 bi em 2010, e agora passam a contabilizar R$ 6,8 bi.
Se o cronograma das obras não está em dia e o tempo só está encurtando - faltam 35 meses para a Copa -, a tendência é que os custos das obras se elevem, tanto para acelerar o acabamento quanto devido ao reajuste de preços necessários pelas alterações e correções nos projetos. Com mais três anos pela frente, tudo indica que o superfaturamento já conhecido nos Jogos Panamericanos do Rio, em 2007, pode voltar a ocorrer.
Stephen Kanitz certa vez pontuou em um artigo que um dos problemas do Brasil é a eterna predominância de iniciativa, e pouca - ou nenhuma - "acabativa". Nota-se que essa afirmação não está muito longe da realidade. A solução para que os erros do Pan-2007 não sejam repetidos e o Brasil aproveite realmente as oportunidades de desenvolvimento trazidas por um evento como esse está simplesmente na pura capacidade de "acabativa", ou seja, foco no plano de ação - não mais no "plano".
Quanto mais tempo obras se atrasarem, mais caras elas ficarão, menos eficazes serão - já que muitas passam a ser "soluções provisórias", apenas para atender a demanda temporária -, e mais, o país perde em credibilidade pela falta de organização.
Apesar da tarefa difícil, com ajuste de planejamento rápido e mais ação dos envolvidos para concretização dos objetivos - diga-se obras - ainda é possível que elas retomem o caminho certo. No bom sentido, é deixar a iniciativa de lado e usar mais acabativa para evitar maiores problemas.
*Andressa Rufino é consultora da Trevisan Gestão do Esporte e autora do livro "Arena Multiuso: um novo campo de negócios", da Trevisan Editora Universitária (andressa.rufino@trevisan.edu.br).