Hostels diferenciados
De acordo com a Federação Brasileira dos Albergues da Juventude (FBAJ), existem 95 hostels no país, com 5.500 leitos. Estes números, todavia, podem variar, uma vez que alguns hostels incluem-se aí os situados neste novo nicho, segundo informa a Riotur, Empresa de Turismo do Município, veiculada à Secretaria de Turismo, não estão credenciados na FBAJ. Porém, para a Riotur não significa que eles sejam ilegais.
O alemão Holger Zimmermann, 36, proprietário, junto com a ex-mulher Andreia Martins, 35, da Pousada Favelinha, na comunidade Pereira da Silva, em Santa Teresa, no centro da cidade, afirma que seu albergue foi o primeiro dentro de uma comunidade no Rio, ou até mesmo no país.
Inaugurado no réveillon de 2005, o hostel, que tem vista para a baía de Guanabara e o morro do Pão de Açúcar, atrai, segundo Zimmermann, turistas, na maioria vindos de fora, diferentes do padrão “gringo que chega ao Rio à procura de praia e mulheres”, diz.
“Os turistas que chegam ao hostel estão interessados na cultura, em aprender a falar português e fazer contato com as pessoas da comunidade, ajudando na economia do local, já que muitos comem em restaurantes da favela e compram nas lojinhas do lugar”, explica.
Já a pousada Casa Alto Vidigal, que fica na favela do Vidigal, em São Conrado, bairro nobre da zona sul, é exceção à regra. Ainda não está pacificada (a Secretaria Estadual de Segurança, por questões estratégicas, não divulga o cronograma de implantação de UPPs), mas recebe turistas de todo o mundo, dispostos a conhecer uma comunidade mesmo sem o respaldo da polícia.
Segundo o dono, o austríaco Andreas Wielend, de 33 anos, que vive há um ano e meio no país, as regras são outras, em relação a uma comunidade pacificada. “Aqui não tem polícia, os traficantes mandam. Tenho que avisar tudo aos clientes. Mesmo assim, é legal e seguro, e nunca aconteceu de alguém roubar um hóspede, até porque a pousada está aberta há um bom tempo”, garante.
Copa do Mundo
Segundo a Riotur são esperados para a Copa em 2014 cerca de 200 mil turistas na cidade. Este total, de acordo com o órgão, será na maioria de turistas “volantes”, que vão querer conhecer outras sedes dos jogos, não tendo local fixo para se hospedar.
A cidade do Rio de Janeiro conta hoje com 28 mil quartos de hotéis e a meta da prefeitura é que este número aumente em mais 10 mil. Tanto Zimmermann quanto Wielend esperam que a Copa de 2014 traga ainda mais turistas. Para o dono da Pousada Favelinha, os preços devem aumentar, como acontece durante o carnaval, devido à falta de espaço e à impossibilidade de ampliação da pousada.
Wielend, porém, pensa em construir novos quartos privados. “O hostel estará lotado, com certeza, como ocorre no carnaval. E também na Copa do Mundo espero que ele esteja super cheio. Tomara”, torce o proprietário da pousada Casa Alto Vidigal.