Telê Santana da Silva faria em julho 80 anos, e é conhecido por personificar o futebol-arte, estilo de jogo que defendeu e que formou mais de uma geração de grandes craques. Agora, o técnico e jogador mineiro é lembrado no documentário Telê Santana: Meio Século de Futebol Arte, dirigido por Ana Carla Portela e Danielle Rosa, com lançamento em DVD anunciado para o dia 12 de maio.
Os depoimentos, por si mesmos, constrõem o perfil de Telê. Ao longo das entrevistas, o que se vê é uma personagem ao mesmo tempo rigorosa, sensível, ética e perfeccionista, dentro e fora dos campos. O filme revela ainda um homem apaixonado pelo futebol, desde a juventude, quando angariou glórias no primeiro time, o Fluminense, e recebeu o apelido de “Fio de Esperança”, em referência tanto à sua magreza como ao bom futebol que jogava.
Em seguida, vem os dias de preparação da seleção brasileira e, por fim, o período de conquista dos onze títulos (incluindo Libertadores da América e Mundiais Interclubes) pelo São Paulo Futebol Clube. A imagem que fica é de uma pessoa que não se deixou abater pelas pressões, mesmo sofrendo ao ver a derrota das seleções das Copas de 1982 e 1986, quando foi chamado de "pé frio". No documentário, esta fama é contestada.
O filme baseia-se inteiramente nos depoimentos de familiares, jogadores, amigos e outros que se relacionaram com o técnico, além de imagens de arquivo. A produção levou seis anos, e reuniu mais de 80 entrevistas (isso mesmo!), como contam as diretoras.
Além dos familiares de Telê Santana, deram depoimentos jogadores como Zico, Sócrates, Raí, Zetti, Leonardo, Palhinha, Brunoro, Cafu, Dinamite e Renato Gaúcho (cortado da seleção por Telê em um polêmico episódio, mostrado no filme); os técnicos Luxemburgo e Muricy Ramalho; os apresentadores Mauro Beting e Milton Neves, além dos narradores José Silvério e Luciano do Valle; personalidades como Eurico Miranda, além dos artistas Edgar Scandurra, Dinho Ouro Preto, Nando Reis e Nasi, entre outros.
Tantos depoimentos podem chegar a confundir o espectador, e roubar um pouco o ritmo do filme. Mas, por outro lado, provam a permanência e importância de um técnico como Telê Santana para os que fazem o futebol de hoje.
Sobre as diretoras
Jornalistas formadas pela Universidade Metodista de São Paulo, Ana Carla Portella e Danielle Rosa desde a faculdade sempre tiveram preferência pelo audiovisual. Após a realização de um curta de 25 minutos, resolveram explorar o tema do futebol, que apesar de tantas histórias possui poucos registros, e assim nasceu “Telê Santana”, um documentário sobre a vida e carreira de uma das principais personalidades dos campos. Atualmente, ambas trabalham na área esportiva e mantêm projetos para outros documentários dentro do segmento futebolístico.