Nem BRT (Bus Rapid Transit) nem Monotrilho. O impasse entre prefeitura e governo do estado fez com que o governador do Amazonas, Omar Aziz, declarasse na última terça-feira (19) que, se não houver parceria nos projetos, Manaus poderá ficar sem as obras de mobilidade urbana para a Copa de 2014. O que, segundo ele, não desclassificaria a capital amazonense da competição. “O segredo da mobilidade urbana é a integração. Tem que ter, senão não funciona nenhum tipo de modal", disse.
O governador afirmou também que os atrasos no início das obras dos projetos não preocupam, pois, de acordo com ele, para estar na Copa, Manaus precisa "apenas de estádio, porto, aeroporto e hotéis". Mas defendeu que a mobilidade urbana é extremamente importante para a população e esse seria um dos principais legados do evento. "Essa obra da mobilidade urbana não pode ser pensada apenas para a Copa, pois independente disso o Mundial vai acontecer em Manaus”, afirmou Aziz.
De acordo com o coordenador da Unidade Gestora do Projeto Copa 2014 (UGP), Miguel Capobiango, não houve avanços consistentes nos projetos. Apesar de a licitação do monotrilho estar em andamento, o governo ainda aguarda a aprovação de financiamento da Caixa Econômica Federal e correções no projeto básico recomendadas pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual do Amazonas.
Ao contrário do que houve com o monotrilho, a prefeitura optou por dar inicio ao processo licitatório do BRT somente após a liberação do financiamento da Caixa. “Cada órgão tem seu jeito de trabalhar. O governo escolheu abrir a licitação antes da aprovação de crédito. A prefeitura não, isso não deve atrapalhar em nada, são apenas maneiras diferentes de trabalhar”, disse Capobiango.
O gestor explicou também que o "consórcio Manaus", que havia sido reprovado na análise de preços da licitação, apresentou nova proposta financeira para o monotrilho. O processo foi encaminhado à Procuradoria Geral do Estado para avaliação.
Capobiango destacou ainda que os boatos sobre a eliminação de Manaus da Copa, que tomaram conta da cidade esta semana, não preocupam a UGP, pois a mobilidade urbana não elimina a cidade do evento. “Nossa preocupação é com o restante do financiamento que precisamos conseguir para construir o monotrilho, pois a Caixa vai liberar R$ 600 milhões para o projeto, orçado em R$ 1,327 bilhão. Já estamos procurando alternativa para isso”, disse o coordenador.
Entre as alternativas apresentadas estão o PAC da Mobilidade, programa federal que já disponibiliza R$ 600 milhões para o monotrilho, e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O coordenador alertou ainda para a importância da integração dos BRT e Monotrilho. “Os sistemas viários vão se encontrar no centro da cidade. O BRT virá da zona leste em direção ao centr. Já o monotrilho sairá da zona norte. Caso um dos dois não seja aprovado, isso terá que ser estudado novamente, pois o monotrilho não poderá ir para a zona leste, pois existem períodos do dia em que não há fluxo de passageiros da zona leste em sentido centro. E o monotrilho requer um número de passageiros por conta da manutenção. Por isso o BRT é mais indicado para esta área. Diferente da zona norte, que tem um fluxo constante ao centro da cidade, o que justifica o monotrilho”, diz Capobiango.