Depois da declaração do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, José Geraldo Riva (PP), de que estaria ocorrendo um “lobby” para favorecer a construção de um BRT (Bus Rapid Transit) na capital Cuiabá, o presidente da Agência estadual da Copa (Agecopa), Yênes Magalhães, convocou entrevista para esclarecer o assunto.
Segundo ele, caberá ao governador Silval Barbosa (PMDB) bater o martelo sobre a adoção do BRT (Bus Rapid Transit) ou do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), o segundo modal proposto.
O impasse entre os dois modais pode acabar atrasando ainda mais as obras em Cuiabá. Em acordo assinado com a União em janeiro de 2010, Mato Grosso se comprometeu a construir duas linhas de BRT para melhorar a circulação de pessoas e veículos durante a Copa de 2014.
Os corredores ligariam o aeroporto ao bairro CPA e o centro ao bairro Coxipó. Orçados em R$ 450 milhões, os BRTs teriam financiamento federal exclusivo para sistemas públicos de transporte da Copa. As obras deveriam ter começado entre abril e maio do ano passado, mas o governo do estado não conseguiu tocar os projetos.
“A Agecopa não decidiu pelo BRT em hipótese alguma, mas hoje é a melhor opção. Estamos discutindo o assunto desde 2008”, disse Magalhães sem abordar os atrasos.
Segundo ele, até mesmo a única empresa habilitada para a construção do VLT, a TG+, considera o sistema de ônibus rápido a melhor solução de transporte para a capital mato-grossense.
Lobby
Riva, por seu turno, insistiu na hipótese de que existe pressão de empresários pela adoção do BRT , o que poderia comprometer a adoção de um sistema mais moderno e adequado para Cuiabá.
“As pessoas que vieram para discutir o VLT ficaram inseguras. Esse estudo demanda gastos e, todos os dias, na imprensa, a informação é de que o sistema que será implantado é o BRT", afirmou.
A declaração do deputado foi uma resposta ao anúncio do presidente Yênes Magalhães, de que a licitação do BRT será aberta em breve.
A polêmica em torno dos dois modais gira em torno das 1.200 desapropriações residenciais e comerciais que serão necessárias para a construção das vias do BRT e do valor da tarifa.
Segundo Riva, os VLTs provocam transtornos menores, por ser possível construí-los em corredores estreitos. Seriam necessárias 300 desapropriações.
Governo
Na segunda-feira (28), o governador Silval Barbosa havia afirmado que o projeto de construção do BRT seria entregue à CEF (Caixa Econômica Federal) para a liberação do financiamento.
Segundo ele, o modelo a ser implantado em Cuiabá será aprovado em parâmetros de viabilidade, prazo para conclusão da implantação, investimentos e preço aos usuários.