O Conselho Deliberativo do Sport Club Internacional decidiu na noite desta segunda-feira (21) mudar o modelo de gestão da reforma do Beira-Rio.
Em vez de realizar a obra com recursos próprios, como estava previsto no projeto original que garantiu ao clube o credenciamento para receber jogos da Copa 2014, os conselheiros optaram pelo modelo de parceria com uma empreiteira, defendido pela atual gestão.
O clube dará prazo de 15 dias para que as construtoras interessadas em assumir o projeto apresentem novas propostas. Conforme as alterações aprovadas pela conselho do clube, para ser escolhida, a empreiteira deverá estar disposta a concluir a reforma do Beira-Rio a preço fechado, isto é, assumindo o risco de eventuais aumentos no custo da obra, em troca da exploração de receitas do estádio e do entorno do complexo Beira-Rio.
Além disso, a construtora deve se comprometer a entregar o estádio conforme as especificações da Fifa e a tempo da casa colorada sediar a Copa das Confederações, que será realizada na metade de 2013.
A direção do Inter também fica obrigada a contratar uma consultoria especializada em gestão de arenas para orientar o clube na busca pela melhor proposta e uma assessoria jurídica para auxiliar na redação do contrato.
Autofinanciamento
A proposta foi aprovada por unanimidade. Pressionado pela direção e pelo Comitê Organizador Local (COL) da Copa por uma definição, o conselho colorado vinha discutindo o tema em reuniões desde o dia 2 de março.
Na época, a diretoria apresentou uma proposta da construtora Andrade Gutierrez em alternativa ao modelo de autofinanciamento, questionado pela Fifa desde julho de 2010. Segundo a atual direção, no poder desde janeiro, este modelo poderia aumentar o endividamento do clube.
Se insistisse na proposta anterior, o clube poderia perder o privilégio de sediar os jogos da Copa para a Arena do Grêmio, que está sendo construída pela OAS na zona norte de Porto Alegre. O modelo de autofinanciamento previa custeio da obra a partir dos recursos da venda do Estádio dos Eucaliptos (cerca de R$ 30 milhões) e do aluguel antecipado de 121 novas suítes do Beira-Rio (R$ 1 milhão cada) pelo período de 10 anos.
Propostas
Os termos da parceria oferecida pela Andrade Gutierrez, que pretendia explorar novas áreas comerciais que serão criadas a partir da reforma do Beira-Rio pelo período de 20 anos, foram questionados. Um grupo de conselheiros apresentou alternativa: que o Conselho decidisse por uma parceria, mas que abrisse prazo para receber novas propostas.
A nova opção foi acatada pela diretoria e a proposta foi aprovada por unanimidade na noite desta segunda-feira. “É um momento importantíssimo na história do clube”, disse o presidente Giovanni Luigi logo após o anúncio do resultado.
Novo prazo
“Escolhido o parceiro, haverá um tempo de 30, 40 ou 50 dias para a elaboração do contrato”, disse Luigi, adiantando que a assinatura do contrato com a construtora deve levar mais de dois meses. Até lá, caberá ao presidente negociar um prazo maior com o COL, que esperava a definição da polêmica agora em março.
Além da Andrade Gutierrez, a construtora Engevix também apresentou proposta ao clube. A proposta, no entanto, foi descartada pela direção porque não previa a conclusão da obra a preço fechado e pedia receitas do clube como garantia.
Nesta segunda-feira, a direção também anunciou a criação de uma Comissão de Obras com 13 integrantes de diversas correntes do clube. O objetivo é acompanhar a reforma e assessorar a presidência durante as obras da casa colorada.