O Recife atrai turistas durante o ano inteiro. Os visitantes vêm em busca das belezas das praias, pontes e rios e pretendem conhecer a cultura da capital do frevo e do maracatu. Mas a cidade deixa a desejar quando o assunto é a sinalização. E este público sofre com a falta de orientação em alguns locais da cidade.
Apesar de existirem placas com os nomes de ruas, avenidas e bairros, não é fácil encontrar indicação para os principais pontos turísticos.
Quem sai do Aeroporto Internacional dos Guararapes tem a sorte de encontrar uma sinalização adequada se o caminho for feito pela avenida Boa Viagem. É que lá se concentram a maior parte dos hotéis do Recife e, por isso, existe uma preocupação em informar bem os turistas.
Além de indicar o caminho para o centro do Recife e para a cidade histórica de Olinda, existe sinalização para o Centro de Convenções, o Parque das Esculturas, o Convento de São Félix da Ordem dos Capuchinhos (Frei Damião) e para o Bairro do Recife. Na avenida Agamenon Magalhães, a principal via de acesso entre Recife e Olinda, também é possível encontrar placas indicando pontos turísticos.
Zona norte
Mas, se o caminho escolhido não for o foco da rede hoteleira, o visitante vai sentir dificuldades para chegar aos locais de turismo. Quem vai para o Bairro do Recife pela zona norte da cidade não encontra placas de orientação sobre os destinos.
Na avenida Rui Barbosa, ainda na zona norte, não existem placas indicando que o turista está próximo ao Museu do Estado de Pernambuco. A mesma situação acontece no Bairro do Recife, onde ficam alguns dos pontos mais visitados da cidade.
O turista só sabe que chegou ao teatro Santa Isabel, ao Palácio do Campo das Princesas e ao Palácio da Justiça quando vê uma placa em frente aos locais. É impossível confirmar se o caminho está correto porque não existem placas de sinalização.
Para chegar ao Marco Zero a história se repete. As placas só aparecem a menos de 1 km do local.
No Bairro do Recife o passeio para o visitante estrangeiro fica mais fácil porque existem diversas placas de sinalização em inglês. Mas em outros locais da cidade que recebem grande número de turistas, como mercados e parques, não há tradução.
Transporte
O suíço Nicolas Gurgeli, hospedado na zona norte, sentiu dificuldade com a sinalização das ruas e pontos turísticos. Outro obstáculo apontado por ele foi a falta de informação nas paradas de ônibus.
“Nos pontos não existe identificação dos ônibus que vão passar e nem o local de destino. Para quem não fala português a dificuldade é grande porque os ônibus também não indicam a direção que estão seguindo. O melhor seria que tivessem mapas que mostrassem o local em que você está e a rota indicando para onde o ônibus vai”.
Aliás, falando em mapa, Nicolas disse que este tipo de informação é o que mais faz falta na sua viagem pelo Recife. Há mais de uma semana na capital pernambucana, o suíço disse que em nenhum dos locais que visitou foi possível achar um mapa turístico da cidade.
Para o norte-americano Joshua Alvarado o deslocamento de ônibus também foi complicado. Mesmo utilizando um mapa da cidade, ele sentiu dificuldades para pegar os ônibus até os pontos turísticos.
“Eu sei que o nome do ônibus que eu peguei na ida é o mesmo da volta, mas como alguns não dizem a direção que estão seguindo, eu não sei qual é o correto para retornar”, reclama.
Outro lado
A Secretaria de Turismo da prefeitura do Recife informou que uma das prioridades do órgão é o investimento em informações turísticas através da ampliação no número de postos de atendimento aos turistas, das informações divulgadas na internet, da presença de consultores em hotéis da cidade e da sinalização turística e viária.
De acordo com a secretaria, existe um projeto executivo de sinalização dos principais pontos turísticos da cidade que está sendo finalizado. A próxima etapa será a contratação de uma empresa para a produção e instalação de cerca de 500 placas em inglês e braile.
O projeto terá um investimento de aproximadamente R$ 1 milhão, e é feito por meio de uma parceria entre o Ministério do Turismo e a prefeitura.