Os desafios, os entraves e os investimentos do Estado para os próximos cinco anos com a vinda para Cuiabá da Copa de 2014 formaram o eixo de discussão do V Ciclo de Debates “Mato Grosso: cenários socioeconômicos de desenvolvimento”, ocorrido nesta quinta-feira (25/6) pela manhã, no auditório do Senai Cuiabá (antiga Fiemtec), no Porto em Cuiabá. Um total de 115 pessoas assistiram às cinco palestras do evento, que trouxe à Cuiabá o vice-presidente de Mercado e Relações Institucionais da Rede Energia, José Antonio Sorge, e sua equipe de trabalho.
O evento foi aberto pelo vice-presidente de Operações da Cemat, Arlindo Antonio Napolitano, que destacou a necessidade de ouvir o setor produtivo para fomentar o planejamento de ações de médio e curto prazo. Segundo Napolitano, a concessionária de energia necessita dessa ferramenta com o intuito de subsidiar o planejamento anual e decenal de mercado de energia da Cemat.
“Certamente a vinda da Copa do Mundo para Cuiabá trará impactos em todos os setores, inclusive no fornecimento de energia elétrica. O objetivo desse ciclo de palestras é ouvir os seguimentos, fazer um diagnóstico e prever o impacto desse grande evento sobre nossa atividade. Até lá serão cinco anos para darmos conta de atender a demanda existente. Nesse primeiro momento, vamos trabalhar com as informações fornecidas pelo setor produtivo, conhecer as políticas públicas para os próximos anos e planejar nossa atuação no mercado estadual”, destacou.
Na análise do presidente do Conselho Econômico e Tributário da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt), Gustavo de Oliveira, a produção de energia figura como um setor promissor, ao lado da área de alimentos, infraestrutura de transportes, construção civil, turismo e atividades correlatas. Entretanto, o Estado precisa vencer desafios que se constituem como entraves ao desenvolvimento de Mato Grosso, especialmente a questão ambiental, custos logísticos, carga tributária, custo do emprego, qualificação profissional, qualidade de vida e informações ao empresário. “Temos que focar nos problemas e trabalhar as soluções para responder com êxito aos desafios que apareceram”, narrou.
Outro convidado do ciclo de palestras foi o diretor-superintendente da Maggi Energia, engenheiro agrônomo Roberto Anselmo Rubert, que apresentou o programa de investimentos do Grupo André Maggi para o Estado. Rubert relacionou os investimentos para os próximos três anos tais como o início da implantação de quatro Pequenas Centrais Hidroelétricas (PCHs): Divisa, Segredo, Ilha Comprida e Jesuíta. E até 2011 o início da instalação de uma esmagadora de soja em Rondonópolis (a 198 km de ao sul de Cuiabá).
As políticas e perspectivas de desenvolvimento dos setores industrial, comercial e rural nortearam as apresentações do secretário adjunto de Desenvolvimento da Secretaria de Indústria, Comércio, Minas e Energia (Sicme), Manoel Rodrigues Palma, e do secretário adjunto de Agricultura Familiar da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Rural (Seder), Jilson Franciso da Silva. Palma destacou as ações desenvolvidas pelo Estado para fomentar o aporte de recursos e indústrias para o Estado por intermédio de incentivos fiscais. Já Jilson fez um panorama das estimativas de crescimento para o setor de frigoríficos e também de hortifrutigranjeiros.
O secretário de Estado de Desenvolvimento do Turismo, Yuri Bastos Jorge, se encarregou de apresentar ao público presente o programa de investimentos para Mato Grosso com a Copa do Mundo 2014. Infra-estrutura, fomento ao turismo, geração de emprego e renda, estímulo à indústria foram exibidos detalhadamente. “Embora Cuiabá seja uma das sedes de jogos da Copa de 2014, os benefícios serão sentidos em todo Estado. Estamos planejando o investimento de mais de R$ 600 milhões no turismo em cidades localizadas até 200 km de Cuiabá. Queremos capitalizar os benefícios da copa não só para 2014, mas para os próximos 10 ou 20 anos”, disse Yuri.
O vice-presidente de Mercado e Relações Institucionais da Rede Energia avaliou positivamente o evento, destacando que as informações colhidas e os anseios do setor produtivo funcionarão como alavanca para o planejamento das ações da holding no Estado. “As estatísticas e dados aqui apresentados dão mais confiabilidade e segurança no planejamento do mercado”, concluiu.