Aladim, ex-jogador do Coritiba, vereador votou contra
Uma das duas vozes dissonantes na votação do projeto, o vereador Aladim Luciano (PV) concedeu uma entrevista exclusiva ao Portal 2014 para esclarecer porque ele se posicionou contra a proposta do governo. Aladim foi um ídolo da torcida do Coritiba na década de 1970, quando defendia as cores do clube. Atualmente exerce o mandato de vereador e, juntamente com Jair Cezar (PSDB), votou contra a aprovação do projeto que institui o potencial construtivo para o Atlético.
Leia a seguir os motivos que o levaram a votar contra a maioria da Câmara de Curitiba.
Por que votou contra o potencial construtivo?
Meu voto foi contrário ao projeto em razão de não ter ficado esclarecida a questão do potencial construtivo. Solicitei à minha assessoria jurídica um parecer sobre o assunto e entendemos que a utilização da outorga onerosa de construção tem por finalidade a preservação do patrimônio histórico-cultural, ambiental e na aplicação de projetos de habitação de interesse social. Entendo que no caso em questão não se aplicaria a utilização do potencial construtivo, tanto é que foi necessário um projeto de lei para que isso fosse possível. É inegável que a Copa de 2014 deixará um legado positivo para a cidade, mas Curitiba tem necessidades sociais mais urgentes que a construção de um estádio. Ainda, não me convenci de que cedendo potencial construtivo para o Clube Atlético Parananense (CAP), a Prefeitura estaria agindo em favor do interesse público. Me parece claro que está havendo um privilégio a uma entidade privada. Também não ficou claro como é que o CAP promeveria o ressarcimento dos valores concedidos pela Prefeitura de Curitiba, pois afinal de contas esse potencial construtivo será convertido em dinheiro. As obras da Arena deveria ser custeadas totalmente pelo CAP ou por parceiros da iniciativa privada, cabendo à Prefeitura, ao Governo do Estado e ao Governo Federal os investimentos na infraestrutura urbana necessária.
Houve pressão de torcedores rivais?
Recebi cerca de 10 mil e-mails de cidadãos, na maioria torcedores, cobrando uma posição sobre o assunto. Também não posso negar que tenho uma grande parcela dos meus eleitores na torcida do Coritiba, time no qual atingi o auge da minha carreira de jogador de futebol profissional na década de 1970. Entretanto, meu voto não foi orientado pela paixão clubística, mas sim pela questão legal e sobretudo pautado no interesse coletivo.
O benefício deve ser estendido a outros clubes?
Como eu e o meu colega vereador Jair Cézar fomos votos vencidos, o projeto foi aprovado e está aí pronto para a sanção do prefeito. Acredito que por uma questão de justiça e isonomia o benefício concedido ao CAP deve ser estendido ao Coritiba e ao Paraná Clube. Contudo ainda acredito que deveríamos utilizar este instrumento para as suas finalidades especificadas em lei, assim como consta no Estatuto das Cidades.
Considera o potencial construtivo um bem público?
Sim, minha opinião é de que se trata de valores públicos concedidos ao CAP. Como já havia dito, o potencial construtivo será convertido em dinheiro e não sabemos qual será a consequência disso no mercado imobiliário de Curitiba, pois estes títulos ficarão concentrados nas mãos da construtora que irá realizar as obras na Arena. A contrapartida divulgada e estabelecida no convênio entre o governo do Estado, prefeitura de Curitiba e CAP fica muito aquém do benefício concedido. Estamos falando em conceder R$90 milhões e receber em troca de dois camarotes, cessão de uso de uma sala administrativa por cinco anos, cessão da Arena para eventos da prefeitura ou do governo estadual e um projeto ainda obscuro de participação do CAP em escolinhas de futebol para crianças carentes. Acho que há um desequilíbrio nessa conta.