As críticas do presidente são-paulino Juvenal Juvêncio à infraestrutura de Itaquera (zona leste de São Paulo) pegaram muito mal entre moradores do bairro.
Mirando o estádio que o rival Corinthians pretende construir na região, que se tornou a principal alternativa à abertura da Copa desde o veto ao Morumbi, Juvêncio disparou contra o que considera condições precárias da região da nova arena. “Citemos Itaquera. Para você chegar lá, é preciso chamar o Corpo de Bombeiros. Se você trouxer a Angela Merkel [chanceler da Alemanha] e mandar ela lá, ela não chega. E, se tiver que sair, também não sai”, afirmou o cartola na última terça-feira (19/10).
Assumindo o papel de porta-voz dos moradores, a vice-presidente dos diretores lojistas de Itaquera, Lídia Paniaga, rebateu a declaração. “Isso é coisa de uma mente leviana. Esse negócio do Corpo de Bombeiros é um absurdo”, afirmou. Sem citar nomes, Lídia afirma que há uma “campanha para manchar a imagem de Itaquera” e levar a Copa de volta ao Morumbi, na zona sul da cidade.
“O Mundial seria uma oportunidade de acelerar o processo de desenvolvimento da região. É por isso que queremos sim a abertura em Itaquera”, diz.
As críticas da vice-residente da associação atingiram até mesmo o presidente corintiano Andrés Sanchez, que teria parte da responsabilidade pela indefinição do estádio da Copa. “O Andrés tem que parar de fazer jogo de cena e dizer logo que é importante sim sediar a Copa em Itaquera”, afirmou.
No próximo dia 6 de novembro, aniversário de 324 anos de Itaquera, os membros da associação pretendem “abraçar” o terreno do estádio. Segundo Lídia, "a intenção é mostrar que o terreno é da comunidade e não do Corinthians”.
Estádio
Com cerca de 200 mil m2, o terreno de Itaquera foi cedido ao clube do Parque São Jorge em 1979 com a finalidade exclusiva da construção de um estádio. No entanto, apenas em setembro deste ano a diretoria do clube anunciou a obra, em parceria com a Odebrecht.
A arena comportará 48 mil torcedores, enquanto a Fifa exige o mínimo de 65 mil para o jogo de estreia. A expansão teria que ser bancada por terceiros. “O nosso estádio é para os corintianos. Se o poder público, a CBF e a Fifa quiserem, que façam as obras necessárias para ampliá-lo e receber o Mundial”, disse Andrés.
A indefinição do comitê paulista e do Corinthians abriram margem para que o presidente são-paulino ressuscitasse o Morumbi, estádio vetado em julho pelo COL/2014 (Comitê Organizador Local) por, segundo o comitê, não apresentar garantias de que poderia bancar uma reforma para a abertura.
A vantagem do Morumbi são as obras de mobilidade urbana já assinadas pelo governo do estado, que investirá mais de R$ 3 bilhões em um monotrilho com estação em frente ao estádio, além da promessa de construir um estacionamento com cerca de duas mil vagas.