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Cuiabá terá paisagismo e arborização em seu estádio

Cidade é a única com projeto de conforto ambiental no entorno da futura arena

Maquete do futuro Verdão: densa arborização (crédito: GCP Arquitetos)
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Regina Rocha
postado em 15/10/2010 12:01 h
atualizado em 15/10/2010 19:45 h

Obras grandiosas, as novas arenas da Copa de 2014 devem se tornar marcos arquitetônicos das cidades-sede do evento. Mas, justamente devido ao porte destas construções, e porque utilizam materiais de alta densidade como concreto e aço, também podem impactar o ambiente urbano, transformando-se em "ilhas de calor". O fenômeno, que já é conhecido em várias capitais brasileiras, provoca alterações no clima local, com perda de umidade e elevação das temperaturas.

Para reduzir esse efeito, um recurso eficiente (e simples) é a arborização, explicam os especialistas. Além de embelezar e trazer qualidade de vida para a população, as árvores podem amenizar o calor no caminho dos torcedores até os estádios. Também é um item fundamental para o projeto obter a certificação Leed (Leadership in Energy and Enviromental Design), exigida pela Fifa no caso dos estádios construídos no Brasil. Por tudo isso, fica a pergunta: como os projetos das arenas da Copa abordam este item do paisagismo?

Arena Cuiabá
O exemplo mais notável vem de Cuiabá. Arborização, áreas permeáveis e soluções de sustentabilidade - como uso da água de subsolo no esquema de ventilação, pisos e cobertura com níveis testados de refletância - são os pontos destacados no projeto do arquiteto Sergio Coelho (GCP) para a Arena Cuiabá, que substitui o antigo Verdão na capital matogrossense.

Localizada em uma área de 300 mil m² com resquícios de mata de um antigo bosque, a nova Arena quer trazer junto a recuperação do verde existente e até complementá-lo. O local será transformado em um parque, com bosque de espécies nativas do Cerrado e da Amazônia. A previsão de plantio é até 2012.

A arquiteta Alessandra Araújo, da GCP, conta que serão introduzidas três mil árvores de médio a grande porte. São espécies como: cedro-rosa, pau-marfim, aroeira, copaíba, embaúba, pitangueira, peroba-rosa, jatobá, ipês do cerrado (roxo, amarelo, rosa e branco), amendoim-bravo, sucupira-preta e centenas de palmeiras - buritis, babaçus e jerivás. "O projeto paisagístico foi elaborado criteriosamente para fornecer à cidade uma área verde que valorizasse espécies nativas. Acreditamos que o futuro parque contribua para a educação ambiental dos frequentadores e das crianças da região", ressalta a arquiteta.

Além do novo parque, o projeto traz o verde para dentro do estádio, algo não realizado por nenhum outro projeto. As árvores serão colocadas em cantos nos quatro vértices da arena, e servirão para criar sombreamento. São cantos abertos, que favorecem a ventilação cruzada. Além disso, uma divisão tênue entre os espaços de dentro e fora do estádio fará com que o entorno verde "invada" visualmente as dependências do estádio, explica o arquiteto Sérgio Coelho. Ele diz que isto é possível porque os componentes da obra foram desenhados como peças "soltas", quase desarticuladas, bastante abertas. Isto para facilitar a desmontagem da estrutura após a Copa, e readequá-la a um  número menor de lugares.

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