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Associação condena liberação de álcool em jogos da Copa 2014

Para Abead, medida é retrocesso e pode icentivar a violência nos estádios

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Da redação
postado em 24/06/2009 11:58 h
atualizado em 24/06/2009 12:08 h

Em abril de 2008, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o Ministério Público assinaram um documento que proíbe a venda e consumo de bebidas alcoólicas nos estádios brasileiros. No entanto, em 9 de junho, o Comitê Organizador Local (COL) da Copa 2014, presidida por Ricardo Teixeira, que também comanda a CBF, seguiu uma orientação da Fifa e avisou as cidades-sede que deverão adequar sua legislação para permitir o consumo de bebidas alcoólicas nos estádios do Mundial. A Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead) condenou a medida.

A Fifa mantém um contrato com a Budweiser para venda de bebidas alcoólicas nos estádios até 2014. Nas últimas seis Copas do Mundo a venda foi permitida.

De acordo com um comunicado da Abead, “por conveniência econômica, o Brasil corre o risco de regredir em um tema de inegável relevância e interesse público. Cotidianamente, são apresentadas diversas soluções possíveis para o problema da violência nos estádios de futebol. Em meio à diversidade de opiniões, uma das ações essenciais a qualquer plano efetivo é a proibição da venda de álcool nos estádios e nos locais próximos a eles: as evidências científicas que relacionam consumo de bebidas alcoólicas e comportamento violento são conclusivas”.

A Abead sugere à CBF e ao COL que reconsidere a medida. “A realização da Copa do Mundo deve, além do espetáculo esportivo, culminar em melhorias para a população brasileira. Para que nosso País comece a jogar limpo também fora das quatro linhas”, diz o comunicado.

Confira o comunicado na íntegra:

Jogo limpo

A realização da Copa do Mundo no Brasil, em 2014, está cercada de desconfianças de ordem política e econômica. A origem da verba necessária para construção e reforma dos estádios é a principal polêmica ligada à realização do evento esportivo. Contudo, a Confederação Brasileira de Futebol adotou uma postura que pode trazer prejuízos também para as áreas de saúde e de segurança.

Seguindo uma orientação da Fifa, o presidente da CBF e do Comitê Organizador Local da Copa-2014 (COL) avisou no dia 9 de junho que as cidades-sede deverão adequar sua legislação para permitir o consumo de bebidas alcoólicas nos estádios do Mundial. A orientação é contrária a uma resolução da própria Confederação, emitida em abril de 2008, que proíbe o consumo de álcool nos torneios organizados pela CBF e em jogos da seleção.

Por conveniência econômica, o Brasil corre o risco de regredir em um tema de inegável relevância e interesse público. Cotidianamente, são apresentadas diversas soluções possíveis para o problema da violência nos estádios de futebol. Em meio à diversidade de opiniões, uma das ações essenciais a qualquer plano efetivo é a proibição da venda de álcool nos estádios e nos locais próximos a eles: as evidências científicas que relacionam consumo de bebidas alcoólicas e comportamento violento são conclusivas.

Por isso, sugerimos ao presidente da CBF e do COL que reconsidere a recomendação feita às cidades-sede. A realização da Copa do Mundo deve, além do espetáculo esportivo, culminar em melhorias para a população brasileira. Para que nosso País comece a jogar limpo também fora das quatro linhas.

Analice Gigliotti - Presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas
 





 
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