Muito criticado na semana passada, depois de provocar acidentes com vários jogadores, o gramado do estádio
Engenhão, no Rio, passou por uma recuperação de emergência. Entrevistamos o especialista no assunto, o agrônomo Artur Melo, do blog
Gramado Esportivo, que orientou a recuperação do campo.
Quando você foi chamado pela direção do Botafogo para examinar o gramado do Engenhão?
No domingo (26/9), o gerente de Futebol do Botafogo, Anderson de Barros, me contatou por solicitação expressa da presidência do clube. E contratou meus serviços para emitir um laudo técnico sobre o estado do gramado, bem como recomendar as medidas emergenciais, além de medidas de curto, médio e longo prazos. O campo encontrava-se bastante danificado, com inúmeras lesões e injúrias mecânicas provocadas pela tração das chuteiras dos jogadores, com sua textura dura (piso duro) em função da camada compactada de argila, logo abaixo da parte aérea (superfície) do gramado. A sombra gerada pela cobertura ao campo de jogo, associada à forma de plantio do campo (em tapetes) e a grande carga de jogos, foram os principais fatores que levaram à degradação do campo.
Quais foram as principais medidas saneadoras adotadas? Emergencialmente, elaboramos a estratégia e executamos a aeração do campo, quebrando a camada de argila compactada, de forma a facilitar a infiltração de água e reduzir a sensação de "campo duro". Reparamos todos os buracos causados pelo uso e replantamos as áreas mais danificadas com "maxi rolos", que são tapetes de gramado com grande dimensão. Elaboramos e executamos programa especial de adubação e de controle de doenças fúngicas que também maltratavam o gramado. Todo o trabalho foi realizado em cinco dias, pelo Botafogo e pela empresa que faz os serviços de manutenção do campo.
As providências são apenas paliativas ou propiciarão durabilidade a longo prazo?
Essas medidas resolveram a questão emergencial, mas deixei uma série de recomendações a serem seguidas a médio e longo prazos, para a manutenção e futuras reformas/revitalizações do gramado, inclusive para adequá-lo às recomendações técnicas do Comitê Local da Copa de 2014 (COL), de forma que possa ser usado na Copa das Confederações, como campo de treino da Copa de 2014, e na Copa América 2016.
Qual é o investimento realizado pelo clube para essa ação saneadora?
Calculo que cerca de R$30 mil tenham sido investidos nesta primeira fase. A empresa contratada pelo Botafogo está investindo R$130 mil, em maquinário de manutenção. Mas, é importante frisar, tudo isto tem um retorno garantido, com a melhoria das condições do palco do espetáculo.