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A senhora Blue Tree e os planos para 2014

Chieko Aoki dá lições de hospitabilidade e anuncia novos hotéis em Brasília, Natal, Cuiabá e Rio

Chieko Aoki, presidente da Blue Tree (crédito: Divulgação)
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Marcos de Sousa - São Paulo
postado em 23/09/2010 19:03 h
atualizado em 24/09/2010 19:48 h

Presidente da rede Blue Tree, a empresária Chieko Aoki é a brasileira com maior experiência internacional na gestão de empreendimentos hoteleiros. Chieko trabalhou nos EUA, em países da Ásia e na Europa. Em 1992 fundou a empresa Caesar Towers, que em 1997 assumiu a marca Blue Tree Hotels.

Aoki em japonês significa árvore azul e daí o nome da empresa. Nesta entrevista a "senhora Blue Tree" fala sobre os planos da rede em relação à Copa de 2014 e aponta alguns desafios para o Brasil receber os turistas que virão para o Mundial.

A Blue Tree é uma empresa brasileira. A qualidade de seus hotéis já atingiu o mesmo nível de qualidade das grandes redes mundiais?
Com toda modéstia, nós somos muito competitivos e, em alguns casos, temos um padrão se qualidade superior ao das redes internacionais. A cultura da Blue Tree tem um forte traço de internacionalismo porque a minha experiência é internacional. Antes de criar a rede no Brasil eu fui presidente da mais antiga rede de hotéis dos EUA, a Westin Hotels & Resorts, desenvolvi a rede Caesar Park em vários países do mundo, então nós sabemos muito bem o que é o padrão internacional. Mas a rede Blue Tree tem o adicional da hospitalidade da cultura japonesa, porque os asiáticos têm prazer em receber bem as pessoas. Isso tem feito com que nosso treinamento em relação à hospitalidade seja comparável e melhor do que os internacionais.

Mas e o Brasil, a cultura brasileira?
É verdade. O turista que vem para o Brasil quer encontrar aqui a cultura brasileira, não a cultura japonesa. Então nós procuramos agregar a simpatia brasileira em nosso jeito de atender, mas buscamos um padrão de atendimento profissional, porque um recepcionista não pode, por exemplo, dar tapinhas nas costas do cliente. E buscamos disciplina, rigor nos horários.

Hoje todas as grandes cidades brasileiras, não só as capitais, todas elas enfrentam problemas de falta de vagas em hotéis. E temos que ajustar os nossos empreendimentos às características de cada cidade

É muito difícil treinar brasileiros para a hotelaria?
Pelo contrário. O brasileiro tem muita facilidade de se adaptar a novos estilos de trabalho. Eu acho que o treinamento deve passar um padrão de atendimento mas não engessar o funcionário para que ele não perca sua gentileza, que é um traço nacional. As pessoas aprendem, adaptam-se e fazem melhor. Nós inauguramos há pouco um hotel em Manaus. Amigos nossos falavam mal do padrão de serviços e da dificuldade de se encontrar pessoas com boa qualificação profissional. Ao contrário, nos encontramos pessoas com muita vontade de se desenvolver e depois do treinamento inicial já temos um feedback muito positivo dos clientes pelo carinho com que são tratados pelos funcionários. São pessoas que ainda estão sendo treinadas, mas que se identificram rapidamente com a cultura da empresa.

Quais são os plano da rede Blue Tree pensando em Copa de 2014 e Olimpíada, além de outros eventos?
Em primeiro lugar, hoje a Blue Tree tem hotéis em oito das cidades-sede da Copa de 2014 e queremos completar as quatro cidades que faltam: Rio de Janeiro, Brasília, Natal e Cuiabá. São destinos importantes com ou sem os grandes eventos esportivos e nós queremos reforçar a nossa presença em todas essas cidades. O Rio de Janeiro é nossa prioridade, por causa da Olimpíada de 2016, mas também porque o Rio é sempre uma cidade das mais importantes no turismo mundial e precisamos estar lá.

Arena de eventos: inovação em Lins, interior de SP (crédito: Divulgação)

Mas depois da Copa esses hotéis não ficarão ociosos em cidades como Natal ou Cuiabá?
De jeito nenhum. Hoje todas as grandes cidades brasileiras, não só as capitais, todas elas enfrentam problemas de falta de vagas em hotéis. E temos que ajustar os nossos empreendimentos às características de cada cidade. Cuiabá, por exemplo, tem grandes atrações turísticas, como o Pantanal e a Chapada dos Guimarães, mas a cidade também centraliza um turismo voltado especialmente ao agronegócio. Há pouco tempo fizemos um hotel na cidade de Lins, oeste paulista, e instalamos uma pequena arena para leilões e outros eventos ligados à agricultura. É um sucesso, com lotação completa o ano inteiro.

Um dos desafios que está colocado ao Brasil para receber bem os turistas é o da educação e da formação pessoal e profissional. A senhora acha que falta muito para o Brasil se tornar um país receptivo?
Nós fazemos periodicamente auditorias com os clientes nos vários hotéis da rede e eu tenho recebido muitos elogios. Tudo depende da formação que se dá aos funcionários. Existem pedras a serem lapidadas e alguém precisa entender essas pessoas e desenvolver um treinamento adequado. Mesmo dentro do Brasil, o treinamento de alguém no Nordeste vai ser muito diferente de alguém do Sul do país, não apenas pela diferença cultural, mas também porque os anseios são distintos. As pessoas precisam sentir segurança no trabalho.

Mas, do lado de fora dos hotéis, o que falta ao Brasil para recepcionar melhor os turistas?
Como nos hotéis, é preciso educar os motoristas de táxis, policiais, lojistas, vendedores ambulantes, enfim todas as pessoas que terão contato direto com o turista. E repito, o brasileiro tem uma capacidade natural de se relacionar bem com o estrangeiro. Basta oferecer treinamento.





 
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