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Cruzeiro e Atlético reprovam Arena do Jacaré

Média de público na Arena do Jacaré tem decepcinado (crédito: Igor Costoli)
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Igor Costoli - Belo Horizonte
postado em 26/07/2010 15:18 h
atualizado em 27/07/2010 14:32 h

Desde o retorno do Campeonato Brasileiro, a Arena do Jacaré vem sendo alvo de críticas por parte de torcedores, atletas, jornalistas e, agora, dirigentes. Em entrevista após o empate deste domingo entre Cruzeiro e Grêmio, o gerente de futebol celeste, Valdir Barbosa, afirmou que o Cruzeiro não mandará mais jogos no estádio de Sete Lagoas.

Devido a um acidente na BR 040, ambas as delegações precisaram modificar o trajeto para a Arena. Os gaúchos acabaram chegando ao campo com um atraso de 30 minutos em relação ao planejamento inicial.

Valdir Barbosa apontou transporte e segurança como temas delicados para públicos maiores, e citou o clássico contra o Atlético Mineiro, quando o Galo será o mandante, como último jogo da equipe em Sete Lagoas. Para o clássico, as duas diretorias já haviam chegado ao consenso de realizar os jogos com torcida única do mandante a pedido da Polícia Militar por motivo de segurança.

O correspondente mineiro do Portal 2014 fez o teste. Foi a Sete Lagoas para a partida da última quarta-feira, entre Atlético e Inter, e conta o que viu sobre acesso, estrutura e segurança na Arena do Jacaré.

A solução que não resolveu
Em todo o adiantado e elogiado cronograma mineiro para a Copa, a realização dos jogos das Séries A e B é o ponto mais problemático. A origem mais provável deste evidente erro de planejamento está na obra do campo do América Mineiro. Evidentemente que a melhor opção para receber as partidas dos grandes clubes da capital é o estádio Independência. Com o atraso em sua reforma, coube a Estado e clubes buscar a melhor e mais próxima alternativa.

Em maio, o Portal 2014 apurou denúncias de que algumas ações de infraestrutura estavam atrasadas (leia mais). A prefeitura de Sete Lagoas não havia feito intervenções fundamentais à segurança no entorno do estádio. Ainda hoje, nem todas as vias estão asfaltadas, algumas sinalizações são confusas e o acesso de diferentes torcidas na Arena ainda é problemático.

Sete Lagoas está a cerca de 70 km da capital. Existem duas formas de se chegar ao estádio, e ambas foram experimentadas: a BR 040, escolhida na ida, e a MG 424, na volta. A 040 possui pistas duplicadas em todo o trajeto BH-SL, mas é conhecida pelo alto número de acidentes. Ainda assim é uma opção melhor e mais rápida que a chamada “estrada velha”. Caminho mais curto para os torcedores que moram na região norte da capital, a 424 é duplicada apenas entre BH e Pedro Leopoldo, sendo em sua maior parte uma rodovia estreita, sem acostamento, de difícil ultrapassagem e com trechos de péssimo asfaltamento.

Curvatura do gramado impede visão da lateral oposta (crédito: Igor Costoli)

Após a reforma, o estádio ficou bonito e seu sistema de iluminação é excelente. O gramado, recém-plantado, parece perfeito da arquibancada. Mas, basta assistir ao jogo com atenção e observar que a bola se desloca de forma irregular, quicando muito, de modo que os jogadores mostram dificuldades para dominá-la.

É normal que o gramado tenha uma curvatura para ajudar no sistema de drenagem, mas essa curvatura parece exagerada na Arena, de modo que se observa uma situação inusitada: de um lado do campo, não se enxerga a marcação da linha lateral do lado oposto. Como os alambrados são muito próximos do gramado, mesmo a lateral próxima fica invisível com a presença de público (foto). Ademais, a se ressaltar que a visibilidade na cadeira especial e no setor de imprensa é pior do que nos setores com ingressos mais baratos.

A cidade protesta
Mesmo os moradores de Sete Lagoas estão incomodados: especula-se que as pretensões da Arena do Jacaré para a Copa eram, na verdade, de servir como Base Camp para seleções sediadas em Belo Horizonte, não para substituir o Mineirão. A assessoria de imprensa da prefeitura de Sete Lagoas chegou a afirmar que foi avisada “em cima da hora” sobre receber essas partidas.

Para o Campeonato Mineiro ou divisões nacionais menores é um excelente estádio, mas para a Série A, principalmente jogos com grande público, a estrutura é insuficiente. Foi divulgado que a reforma ampliaria a capacidade para 25 mil lugares, mas o laudo do Corpo de Bombeiros autoriza menos de 14 mil presentes.

Como a Arena suporta público menor, os clubes tentaram compensar a receita no preço dos ingressos. O efeito foi o de afastar o torcedor. Até o jogo de ontem, em três partidas noturnas, em nenhuma a bilheteria esteve acima de cinco mil pagantes. No confronto entre Grêmio e Cruzeiro, às 16h de domingo, uma melhora visível: 9.677 pagantes.

Oficialmente, o Atlético Mineiro não faz grandes críticas à Arena, mas anunciou que, após o clássico, mandará alguns de seus jogos em Ipatinga. A posição oficial é de que o time estaria preocupado com a falta de público em Sete Lagoas – apenas 3.179 pessoas assistiram à vitória sobre o Atlético-GO, e 4.713 estiveram presentes na derrota para o Internacional. O América Mineiro deve continuar na Arena.






 
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