As enxurradas que atingiram Pernambuco nas últimas semanas causaram alagamentos que destruíram casas, escolas, hospitais, danificaram estradas e pontes, deixando 12 cidades em estado de calamidade. A situação é preocupante. Daqui a exatos quatro anos, a Região Metropolitana do Recife receberá milhares de turistas, estrangeiros e brasileiros, para os jogos da Copa do Mundo.
No total, 39 municípios sofreram as consequências do temporal deste ano. Se nada for feito até 2014, o cenário visto pelos visitantes será o de deslizamentos de barreiras, inundações e caos no trânsito.
São Lourenço da Mata, cidade que vai abrigar a Arena Capibaribe, também foi atingido pelo temporal, mas os estragos não foram tão grandes quanto na Mata Sul. De acordo com a Codecipe (Coordenadoria de Defesa Civil de Pernambuco), cerca de 500 pessoas estão desalojadas no município.
O governo de Pernambuco ainda não anunciou quais serão as medidas tomadas para evitar a repetição desses problemas em 2014. Como os danos causados pelas chuvas foram grandes, os esforços estão voltados para os municípios mais atingidos.
O secretário da Casa Civil e coordenador do Comitê de Pernambuco para a Copa 2014, Ricardo Leitão, pedirá aos organizadores do evento que realizem o Mundial fora dos meses de junho e julho.
“Nós temos que ponderar para que se faça [a Copa] em outros períodos que não tenham chuva”, diz Leitão. Segundo ele, a Copa de 2010 aconteceu no inverno sul-africano para que as seleções europeias não fossem prejudicadas pelas altas temperaturas do verão do país.
Omissão do poder público
O engenheiro e vice-presidente do Sinaenco-PE (Sindicato da Arquitetura e da Engenharia), Ilo Leite, diz que várias ações precisam ser feitas para diminuir os problemas que são constantes quando a chuva chega com mais força a Pernambuco. Segundo Leite, é necessário realizar trabalhos de drenagem para permitir o escoamento adequado das águas, sem danificar o solo em áreas de risco.
“Existe uma omissão pública em permitir que as pessoas ocupem áreas de risco e a beira dos rios e canais”, afirma. De acordo com Ilo, é preciso recompor a mata ciliar, desobstruir canais e galerias e fazer o desassoreamento dos rios. “O revestimento de canais também é importante, para que a água possa fluir tranquilamente.”