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Mané Garrincha, a nova arena de Brasília

Entrevista com Eduardo de Castro Mello

Vista noturna da arena do Planalto (crédito: Castro Mello Arquitetos)
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Regina Rocha - São Paulo
postado em 05/03/2009 18:40 h
atualizado em 09/09/2010 17:06 h

Nós projetamos a Copa
Arq. Eduardo de Castro Mello  - Estádio Mané Garrincha, Brasília

Há três gerações, a família Castro Mello tem seu nome ligado à arquitetura esportiva. Foram praticamente os introdutores deste tipo de equipamento em muitos municípios brasileiros, e alguns de seus projetos se tornaram verdadeiros ícones arquitetônicos. É o caso do estádio Mané Garrincha, em Brasília, projeto assinado por Ícaro de Castro Mello (arquiteto e uma lenda do atletismo brasileiro) e seu filho Eduardo de Castro Mello. Este último, hoje à frente do escritório Castro Mello Arquitetos, mantém a tradição e agora divide com seu filho Vicente o projeto de reforma do estádio brasiliense para a Copa de 2014. Nesta entrevista, Eduardo assegura: “O Mané Garrincha tem tudo para ser escolhido para o jogo de abertura da Copa. A localização é ideal, dentro do Plano Piloto de Brasília, cercada de comodidades. Além disso, é a capital do país, e isto conta pontos, como sempre se viu em outras Copas”.

Como foi o convite para desenvolver o projeto de reforma do estádio Mané Garrincha, de Brasília?
O estádio original, construído no início dos anos 1970, nasceu de projeto meu e de meu pai, o arquiteto Ícaro de Castro Mello. É um bem tombado pelo patrimônio histórico e obras como essa em Brasília só podem ser alteradas pelo autor do projeto. Enfim, vejo este convite do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda como algo natural. O novo projeto foi feito por mim e por meu filho, o arquiteto Vicente de Castro Mello, e já está pronto e detalhado. Falta decidir como serão contratadas as obras, se por PPP (Parceria Público Privada) ou concorrência pública. A previsão é de que os trabalhos sejam iniciados em julho.

Que chances tem o Mané Garrincha de ser um dos escolhidos pela Fifa para a Copa?
Vamos dizer assim: quanto ao encerramento da Copa, já é quase consensual que fique com o Maracanã, no Rio. A reforma do estádio carioca, aliás, é projeto nosso, também, assim como o Verdão, de Cuiabá. No caso de Brasília, o que posso garantir é que o Mané Garrincha tem todas as condições técnicas para ser o escolhido, esperamos, para abrigar o jogo de abertura do campeonato. O dever de casa da CBF e da Fifa já foi feito e agora só nos resta torcer e aguardar. Outro ponto a favor do Mané Garrincha é o fato de ser um estádio dentro da capital do país, o que sempre é levado em conta em todas as Copas já realizadas.

Quais as principais intervenções na reforma do Mané Garrincha?
O estádio Mané Garrincha faz parte do Complexo Esportivo de Brasília, que compreende estádio olímpico, centro esportivo e conjunto de piscinas. Tudo está em estado de certo abandono, deteriorando, e uma primeira análise foi feita para avaliar o que poderia ser aproveitado. O estudo foi realizado pelo engenheiro calculista Arthur Luiz Pitta, e a conclusão é que apenas uns 20% do estádio poderão ser mantidos, basicamente a fachada e a arquibancada superior; o resto será demolido. Do projeto original, o segmento oeste da arquibancada ficara inacabado, deixando aberto o anel do estádio. Agora faremos a volta toda do anel a partir desta arquibancada.

O que muda, conceitualmente, no projeto do novo Mané Garrincha?
O estádio deixa de ser olímpico para se tornar uma moderna arena multiuso. Esta a principal mudança e nosso desafio. O estádio perde as características que o definiam como um equipamento voltado ao atletismo. O público para o atletismo não é tão grande que justifique a conformação do projeto a um espaço como este. Já as atuais arenas são boas para o futebol (o público fica bem próximo ao campo), e ótimas para a realização de grandes shows. Tipo de espetáculo, aliás, que é responsável hoje pela ocupação destas instalações por 70% do tempo de uso.
A atual pista de atletismo será retirada e faremos o rebaixamento do campo em 4 metros. No lugar da geral, que será demolida, ficará a arquibancada inferior, mais próxima do gramado para permitir ao torcedor visualizar cada lance da partida. Já a arquibancada intermediária abrigará a tribuna de honra, camarotes e setor de imprensa.

Que tipo de coberturas serão feitas e para quantas pessoas?
Uma nova cobertura será instalada sobre as arquibancadas. Ela será estruturada sobre dois anéis metálicos concêntricos que trabalharão sob pressão; a parte externa será apoiada numa série de torres metálicas independentes da estrutura de concreto do estádio. O anel interno estará tensionado pela própria membrana de cobertura, que será feita de PTFE (conhecido como teflon). Enfim, é uma tensoestrutura. No futuro, a previsão é que também o campo receba uma cobertura retrátil, principalmente em função da realização de shows. Será semelhante ao sistema usado no Commerzbank Arena, em Frankfurt. O estádio terá capacidade de 70.141 lugares, mas para a Copa cerca de 60 mil destes assentos se destinarão aos torcedores e o restante à imprensa, personalidades, staff e convidados. Estacionamentos e áreas de apoio, vestiários, central médica, lojas e outros empreendimentos, tudo será reformado ou construído. Em valores oficiais, o custo da reforma está estimado em R$ 522 milhões.

Que obras serão necessárias no entorno do estádio, para melhorar o acesso aos jogos?
Como eu já disse, a grande vantagem do Mané Garrincha é o fato de se situar na área central de Brasília, ao lado do Eixo Monumental. O estádio fica a cerca de 800 metros do centro hoteleiro do Plano Piloto; bastam uns 10 minutos de carro e chega-se ao aeroporto, e há grande facilidade de transporte público. O Centro de Convenções está localizado ao lado do estádio. Ainda assim, são previstas obras para aumentar as vagas de estacionamento, a construção de um túnel sob o Eixo Monumental e uma linha de VLT (veículo leve sobre trilho) ligando o aeroporto e o metrô. Termino citando as considerações finais do documento encaminhado à Fifa para pleitear a inclusão do Mané Garrincha: “Brasília é uma cidade diferente de qualquer outra, planejada e linda - único bem contemporâneo tombado pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade. Isso me faz crer que a cidade será uma ótima sede da possível Copa do Mundo de Futebol de 2014.”





 
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