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"Vamos exigir da Fifa que aceite o Morumbi", diz Rolnik

Urbanista também não acredita em legado da Copa, sem planejamento

Urbanista Raquel Rolnik
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Marcos de Sousa - São Paulo
postado em 24/06/2010 19:20 h
atualizado em 09/09/2010 15:17 h

"O anúncio de que o Morumbi está fora da Copa não tem nada a ver com a discussão de urbanismo, ou sobre o legado da Copa de 2014". Esta é a opinião da arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, para quem a decisão se deu única e exclusivamente no âmbito do jogo de pressões entre a Fifa, a CBF, a Federação Paulista de Futebol e alguns grupos empresariais que, prossegue ela, "só vêem o evento esportivo como um negócio privado".

A conclusão é bombástica: "Infelizmente, a ideia do legado só tem funcionado como pano de fundo e justificativa para que as negociatas se realizem", protesta Rolnik.

Do ponto de vista da política urbana da cidade de São Paulo, Rolnik considera que uma nova grande arena não estaria entre as prioridades da região metropolitana e nem da chamada macrometrópole, região que envolve as cidades de Campinas, Santos, São José dos Campos e Sorocaba.

"Essa região já é atendida por estádios como o Palestra - que vai passar por reforma -, o Pacaembu, que é um patrimônio e merece ser usado como arena multiuso, e ainda o Morumbi. Este último, penso, não deveria ter sido construído naquela local, mas já que está lá, e tem a capacidade para atender os jogos da Fifa, não pode ser desprezado", conclui a arquiteta.

Para ela, o Morumbi pode sim atender ao caderno de encargos da Fifa. Assim, não seria de uma nova arena que a cidade está precisando. "Nós, como cidadãos, temos de exigir que a Fifa aceite a proposta original de reforma do Morumbi, que atende plenamente ao caderno de encargos", diz com firmeza a especialista.

Quanto ao tal "legado da Copa", ela não confia nessa ideia. "A Copa do Mundo não vai deixar legado. As cidades que conseguiram constituir legados com eventos esportivos trabalharam com planejamentos de longo prazo, de forma clara e traansparente, com participação das entidades esportivas e empresariais, mas também da população, o que infelizmente não está acontecendo no Brasil", critica.

No ano passado, Raquel Rolnik desenvolveu um trabalho no Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos que resultou em um relatório disponível no site da United Nations Human Right. O relatório trata da relação entre megaeventos esportivos e direito à moradia. (clique e leia). Se preferir, acesse o documento aqui no Portal 2014.

*Raquel Rolnik é urbanista, professora da FAU/USP e relatora da ONU para o direito à moradia






 
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